<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742</id><updated>2012-01-11T02:09:35.165-02:00</updated><category term='031. A queda'/><category term='003. Mirando longe'/><category term='008. André'/><category term='029. Cutucando a onça'/><category term='023. O privado e o político'/><category term='005. Sim aceito'/><category term='018. Panem et Circensis'/><category term='001. Entre ela e as estrelas'/><category term='035. E agora'/><category term='032. Destruição'/><category term='000. Prelúdio'/><category term='042. A floresta'/><category term='030. Acorda amor'/><category term='009. Avançando'/><category term='002. Seu coração ganhou asas'/><category term='011. Alexandre'/><category term='Vídeos'/><category term='019. O nosso aparelho'/><category term='007. Uma família engajada'/><category term='010. Vida de Família em Araçatuba'/><category term='041. Inescrutável destino'/><category term='015. Radicalização'/><category term='006. Nascida em tempos de mudança'/><category term='039. Senhoras e senhores o DOPS - Parte II'/><category term='038. Senhoras e senhores o DOPS - Parte I'/><category term='024. A última festa'/><category term='037. Não quero te perder'/><category term='022. O estoque de dinamite'/><category term='033. Futuro nebuloso'/><category term='025. Assalto à Casa Diana'/><category term='017. “Homens de Deus deveriam somente rezar”'/><category term='013. O antídoto'/><category term='036. Sangue frio'/><category term='026. Gente poderosa mentes fracas'/><category term='028. O caminhão'/><category term='012. Uma oportunidade'/><category term='Poesias'/><category term='040. Senhoras e senhores o DOPS - Parte III'/><category term='020. Armas e fogo'/><category term='004. O sorriso'/><category term='034. Droga'/><category term='014. Uma casa parecida com um porto'/><category term='016. Atacando o intocável'/><category term='021. Um empréstimo forçado'/><category term='027. A última ação'/><title type='text'>Chuva Dourada Sobre Nós</title><subtitle type='html'>Sonhos e lágrimas de uma família nos reveses da história. Brasil 1962-1969. Biografia de família.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>55</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-7579252775198375856</id><published>2011-09-18T10:17:00.004-03:00</published><updated>2011-09-19T18:12:22.527-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='041. Inescrutável destino'/><title type='text'>41. Inescrutável destino</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era domingo de manhã. A família estava na praia, misturando-se à multidão de pessoas que tomavam sol, comiam, entravam na água e se divertiam num final de semana de céu límpido. Mas Antonio e Maria não podiam juntar-se em espírito à atmosfera relaxada daquela gente. Apesar de brincar e conversar com as crianças, sua atenção estava presa às redondezas. Quando dirigia-se aos filhos, o casal se mostrava sorridente e tranquilo, para volta e meia lentavar os olhos e inspeccionar os imediato arredores. Tudo parecia quieto, ninguém prestava atenção neles, algumas crianças se aproximavam para dividir um brinquedo ou ajudar a cavar o buraco na areia. A despreocupação geral, porém, era para Antonio e Maria somente uma miragem que eles não podiam compartilhar.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estava quente, o sol alto no céu anunciava o meio dia. Os estômagos roncaram, “Está na hora de almoçar,” disse Antonio, pondo-se de pé.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maria concordou, se levantou e chamou as crianças, “Vamos tirar essa areia do corpo? Vamos entrar na água?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foram todos para a água, ainda fresca mas não tão transparente como umas horas antes. Mergulhar nela proporcionava uma sensação de alivio e prazer. Leve e suave na pele, lavava tudo, menos a tensão que engesssava suas vidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Vamos, vamos queridos,” Maria apressou os filhos, “está na hora de ir embora.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enxurgaram-se o melhor que puderam. Apesar dos grãozinhos de areia aqui e ali sobre a pele, se vestiram. De pés cheios de areia enfiados em chinelos e com roupas semi molhadas no corpo, a família deu as costas à praia lotada e caminhou em direção à rua.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não tem muita coisa em casa para comer,” disse Maria caminhando ao lado de Antonio e segurando um filho em cada mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sei. Vamos ao restaurante. Tem um aqui perto que não é caro. Espero que encontremos um lugar para sentar.” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Avistaram o estabelecimento de longe e viram que algumas das mesas da calçada estavam livres. Adiantaram o passo para ter certeza de conseguir uma. Logo, o garçom chegou. Como sempre, ordenaram só três pratos. Antonio evitava o mais possível qualquer despesa extra, uma vez que estava usando dinheiro dado-lhe pela VPR. Apesar desse pequeno fundo ser destinado à sobrevivência da família, Antonio tomava cuidado para não disperdiçar o dinheiro. Três pratos era o que a família de cinco pessoas comia.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Essa situação está se arrastando demais,” disse Antonio enquanto dividia a comida. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Faz um mês que estamos aqui,” respondeu Maria, distribuindo os pratos entre as crianças.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não é seguro ficar parado tanto tempo no mesmo lugar.” Antonio sacudiu a cabeça. “Temos que conseguir sair daqui.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maria parou e olhou para ele, sem palavras. Os músculos do rosto estavam tensos. Apesar de seus gestos condensarem em si controle e calma, seu coração estava agitado. Maria arraigava-se no cuidado e na precisão que ela dedicava aos afazeres diários e às crianças, exorcisando, desta forma, o outro aspecto de sua realidade. Eles não tinham mais uma residência para a qual voltar, sua casa se resumia a dois sacos de lona enrolados onde carregavam seus poucos pertences. O dia de amanhã era inescrutável e a vida corria em constante perigo. Agora, as palavras de Antonio atiçaram a sensação apavorante de estar presos, num refúgio que pode ser descoberto pelo inimigo a qualquer hora. “Temos que conseguir sair daqui” pressupunha que eles não estavam conseguindo ir adiante, estavam bloqueados como presas caídas naquelas armadilhas que são buracos no chão. Parecem estar seguras somente até que alguém as encontre.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-7579252775198375856?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/7579252775198375856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=7579252775198375856' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/7579252775198375856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/7579252775198375856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/09/41-inescrutavel-destino_18.html' title='41. Inescrutável destino'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-2955735031658326068</id><published>2011-08-31T19:46:00.002-03:00</published><updated>2011-08-31T19:46:53.539-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='042. A floresta'/><title type='text'>42. A floresta</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Uma parede verde escura feita de árvores e arbustos estava defronte a  nós. De pé, me segurando nos dois assentos da frente, eu me dei conta da  floreta e de sua intricada rede de folhas e galhos, de muitas formas  direções. No entardecer, ela parecia misteriosa. A fitei. Não tinha  palavras para expressar o que sentia, mas o conhecimento de que era  nosso destino se unia com um impulso interno para ir até ela. Senti-me  chamada. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estávamos estacionados numa praça de terra batida  que fazia fronteria com a floresta. A estrada continuava adiante  dividindo a barreira esmeralda em duas metades. Nenhum sinal humano era  visível. Mais a observava, mais aquele mato parecia extraordinariamente  interessante. Não podia esperar para mergulhar nele, adentrar longe com  minha família e sumir da vista dos outros. Enquanto meus olhos fixavam a  floresta, meus ouvidos seguiam cada palavra da conversa que minha  família estava tendo. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Vou fazer umas compras,” disse meu pai, abrindo a porta do veículo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “É seguro parar aqui?” Sentada no banco da frente, minha mãe lançava olhares à direita e à esquerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Não dava para ver vilarejos ou mesmo casas isoladas por perto. Algumas  poucas pessoas caminhavam, seguindo seus próprios negócios. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não se preocupe, Maria. Nós vamos ficar com você,” tio Osni retrucou, tocando o ombro dela com a mão.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Toninho, não demore,” ela disse, olhando-o.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Meu pai fez sim com a cabeça e o vi virando as costas para nós e  caminhando na direção da fileira de pequenas e modestas lojas no fundo  da praça. Estava ficando escuro. A figura dele desapareceu.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-2955735031658326068?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/2955735031658326068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=2955735031658326068' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2955735031658326068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2955735031658326068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/08/42-floresta_31.html' title='42. A floresta'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3059664508397304135</id><published>2011-08-24T00:09:00.002-03:00</published><updated>2012-01-11T01:48:43.651-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='040. Senhoras e senhores o DOPS - Parte III'/><title type='text'>40. Senhoras e senhores, o DOPS - Parte III</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Considerando que ela havia sobrevivido a um longo interrogatório no  DOPS, Rachel sentiu-se aliviada. Podia voltar a viver em sua casa, na  Alameda Lorena, sem se preocupar em escapar de ninguém. E, a propósito,  não havia mais policiais vigiando a residência. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Terão eles  desistido? Perguntou-se Rachel, puxando a cortina da janela para  conferir mais uma vez. A calçada estava vazia. Alguns carros passavam na  rua. Ela voltou à mesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Eba! Ninguém lá fora!” Ela alegrou-se e se sentou à mesa.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Até que enfim!” Respondeu Dona Lourdes, tomando um gole do seu café  com leite. “E o Toninho? Quando ele vai aparecer? Você sabe de alguma  coisa, minha filha?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não, mãe. Não faço idéia de onde ele  esteja. A organização deve cuidar dele. Ele vai dar notícias, não se  preocupe. O Toninho não é bobo.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Espero que ele esteja bem, estou muito preocupada.” Dona Lourdes suspirou. “E o Osni, onde está ele?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Também não sei, mãe. Mas o único perigo que ele corre é levar um soco na cara por estar namorando a garota de alguém.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Dona Lourdes deu uma risadinha, “Todos o papel hygienic Enfurecida de  esperma que eu já limpei voltando para casa! Ele é um safado! Safado  charmoso, devo dizer…”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Mas ele deve aparecer logo,” cortou  Rachel, mais prática, “ele vai estar com fome. Mãe, mudando de assunto,  semana que vem é Carnaval. O DOPS falou que era para ficar às ordens  aqui em São Paulo, mas Carnaval que presta só é no Araçatuba Clube, e  com os meus amigos.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Verdade. Eu também quero ir para Araçatuba.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “E imagino que o Osni vai querer fazer o mesmo.” Disse Rachel,  pensativa. “Sabe de uma coisa?” Ela falou após um momento, “Vou voltar  ao DOPS e pedir permissão para ficar fora da cidade durante o Carnaval.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Bem pensado, minha filha.” Sorriu-lhe Dona Lourdes, “Volta lá. Eles  não devem criar objeções, vão saber para onde vocês vão e quando  voltam.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Certo. Não deve ser difícil conseguir a autorização.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Efetivamente, sem questionar, o DOPS deu permissão para Rachel e Osni  saírem de São Paulo no sábado de Carnaval e voltarem na quarta feira de  cinzas. Contentes com a sensatez demonstrada pelos policiais, a família  carregou sua nova Kombi, com bagagem, cachorro e empregada e enfrentou  as seis horas de viagem para Araçatuba, cidade que continha em si suas  melhores recordações. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As quatro noites de festa esgotaram as energies dos dois irmãos. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não vejo a hora de me esticar na minha cama e ficar lá até amanhã,” disse Osni, no volante, bocejando.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Todos estavam ansiosos para chegar em casa e ter uma boa longa noite de  sono. Quando o sobrado na Alameda Lorena estava visível, eles se  endireitaram prontos para entrar em casa e ir para suas camas. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dona Lourdes inseriu a chave na fechadura.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Oh, meu Deus!” Ela exclamou, observando a porta que se abria sozinha.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3059664508397304135?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3059664508397304135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3059664508397304135' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3059664508397304135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3059664508397304135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/08/40-senhoras-e-senhores-o-dops-parte-iii_24.html' title='40. Senhoras e senhores, o DOPS - Parte III'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-4839236310327650565</id><published>2011-07-24T22:40:00.001-03:00</published><updated>2012-01-11T01:49:21.099-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='039. Senhoras e senhores o DOPS - Parte II'/><title type='text'>39. Senhoras e senhores, o DOPS - Parte II</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  No dia anterior, sua mãe havia lhe dado o endereço do advogado,  assegurando-lhe que ele geralmente ficava em seu escritório pelas  manhãs. Rachel preferiu não ligar, pois o telefone já não era mais um  instrumento seguro de comunicação desde que seu irmão estava sendo  procurado pel o DOPS. Dona Lourdes concordou e ambos confiaram nos  hábitos do Dr. Jaime Leonel. Assim, como primeira coisa na manhã, Rachel  saiu de casa pulando pela janela de trás, estando a porta sob a  indesejada vigilância dos agentes do DOPS. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Como esperado, o  Dr. Leonel prontamente atendeu Rachel. Entrando na sala, ela o avistou  entre papeis e jornais, enquanto tirava os óculos e a comprimentava,  sorrindo cordial. Aliviada por estar lá, Rachel se sentou numa das  cadeiras na frente dele e seriamente começou a lhe contar sua história.  Como primeira coisa, ela foi intoduzindo algo sobre sua posição  política, para checar as reações do advogado. Mas ele fez sim com a  cabeça, ouvindo-a atentamente. Encorajada, ela continuou, entrando mais  fundo em sua história. Finalmente, ela chegou na parte alarmante: ser  seguida pelo DOPS. Após ter contado os eventos do dia anterior, ela  parou e esperou ansiosa por uma resposta.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dr. Leonal  permaneceu em silêncio. Olhou para a janela aberta e ficou nessa posição  por um tempo, como se estivesse em profundos pensamentos. Então,  voltou-se para Rachel, e disse, “Você precisa se entregar ao DOPS.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Rachel arregalou os olhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Fique calma, Rachel,” ele continuou com voz suave. “Vamos raciocinar&amp;nbsp;  juntos. Você não fez nada, certo? Então, o que faria um honesto cidadão  nas tuas condições? Entende?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela fez sim com a cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Você, portanto, se apresenta ao posto deles, e lhes diga que você  soube que a estão procurando.” Ele estudou o rosto de Rachel e não vendo  sinais de reação, continuou, “Se você continuar se escondendo irá  acirrar a ferócia deles. Respire fundo e vá lá. Você não está envolvida  nas atividades políticas de teu irmão, está?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-4839236310327650565?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/4839236310327650565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=4839236310327650565' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4839236310327650565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4839236310327650565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/07/38-senhoras-e-senhores-o-dops-parte-ii_24.html' title='39. Senhoras e senhores, o DOPS - Parte II'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-8036085151850589090</id><published>2011-06-26T00:39:00.001-03:00</published><updated>2012-01-11T01:49:09.581-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='038. Senhoras e senhores o DOPS - Parte I'/><title type='text'>38. Senhoras e senhores, o DOPS - Parte I</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Merda,” Rachel sussurrou espiando pela janela, “Têm dois idiotas lá fora.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Os homens, de terno escuro, usando óculos de sol e chapéu, e fazendo de  conta que estavam casualmente parados na calçada, na verdade estavam  vigiando as redondezas, cada um olhando numa direção diferente. Ela  sabia quem eram. O ar de casualdade fingida não podia enganar uma pessoa  com uma quantidade normal de neurônios no cérebro, apesar de, ela  suspeitava, eles se acreditarem invisíveis. Os dois indivíduos vestidos  daquela forma ridícula em pleno verão, fazendo nada numa manhã em  horário comercial, e, de vez em quando, lançando olhares para sua casa  só podiam ser agentes do DOPS, esperando para pegar, a qualquer hora,  Antonio, ou um de seus irmãos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Pro inferno eles,” disse Rachel com raiva controlada.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Lentamente, ela soltou a cortina, e olhou com anseio para sua cama. A  pilha de roupa suja precisando ser substituída com a limpa jazia  tristemente num canto. Ela desenrolou a toalha e rapidamente se vestiu.  Sentindo-se exausta, se jogou sobre o lado livre da cama, desejando  tirar um cochilo. Ao invés disso, ficou fitando o teto. Um profundo e  irritado suspiro escapou de sua boca. A consciência da situação lá fora  não podia ser postergada, apesar dos olhos sonolentos. O que fazer?&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Uma semana tinha passado desde que Antonio os havia alertado sugerindo  para se esconder. Ela havia dormido cada noite numa casa diferente. São  Paulo era uma cidade tão grande que permitia a qualquer um desaparecer,  como uma agulha num monte de feno. Osni devia estar em algum lugar que  ela desconhecia. Ele tinha suficiente namoradas para nunca estar sem uma  opção para passar a noite. Não tinha do que se preocupar com ele. Os  amigos dela a havia recebido de braços abertos sem questionar, sendo  aquela também uma oportunidade para eles estarem junto. Entretanto, não é  nunca como estar em casa. Em particular, o próprio banheiro é um luxo  que nenhuma casa de amigos pode oferecer. Rachel precisavam de um longo e  refrescante banho e, por isso, havia voltado para casa nas pontas dos  pés, às primeiras luzes do dia.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agora, com os dois babuínos em preto lá fora ela não poderia sair da porta da frente, e bufou. &lt;i&gt;Tá&lt;/i&gt;, ela pensou cedendo à única solução, &lt;i&gt;vou ter que pular pela janela de trás&lt;/i&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas até quando continuaria escapando?&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-8036085151850589090?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/8036085151850589090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=8036085151850589090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/8036085151850589090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/8036085151850589090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/06/38-senhoras-e-senhores-o-dops-parte-i_26.html' title='38. Senhoras e senhores, o DOPS - Parte I'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-9110641910651339260</id><published>2011-06-07T17:54:00.001-03:00</published><updated>2011-06-07T17:54:35.458-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='037. Não quero te perder'/><title type='text'>37. Não quero te perder</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Apesar de ser uma manhã de domingo, o centro de São Paulo estava  movimentado. Antonio dirigiu com atenção. Era a primeira vez que ele se  mexia abertamente na cidade após ter se tornado um homem procurado.  Sentiu-se nervoso mas tentou não parece nada mais do que um indivíduo  indo visitar sua família. Lembrou-se da foto no pôster da polícia. Ele  parecia gordinho lá, diferente de como ele realmente era. Acreditava que  as pessoas não iriam reconhecê-lo. Além disso, o que faria um suposto  terrorista numa rua elegante da cidade? Somente alguém maluco. Ou ousado  o suficiente para confiar em sua sorte. Ou em seus instintos. Este era  seu caso. Ele sentia de alguma forma irracinal que podia assumir esse  risco. Sua voz interior o instigava a ser audaz. Que estivesse certa ou  não, seus irmãos precisavam ser avisados, pelo bem deles. Antonio não  queria que nada de ruim lhes acontecesse.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O sobrado de Rachel  estava localizado na Alameda Lorena, uma rua residencial situada perto  de charmosas butiques e joalharias. Antonio reconheceu o edifício à sua  esquerda. Tudo estava tranquilo, os passantes pareciam inócuos e nenhum  carro suspeito estava parado nas imediações. Sua confiança se  fortaleceu. Agora, era uma questão de ser rápido com aquilo que tinha  que fazer.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele estacionou uns quarteirões mais para frente e procurou um orelhão.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Alô?” Uma voz suave de mulher atendeu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Bom dia, Dona Marta. É o Antonio, tenho um favor a lhe pedir.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Oi, Antonio, tudo bem. Fale.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Não estou conseguindo falar com minha irmã. Deve haver algum problema  com o telefone deles. Será que a senhora poderia chamá-la?”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Claro, não se preocupe.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Dona Marta foi bater na porta da vizinha.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Tô chegando!” Uma voz feminina respondeu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Rachel abriu a porta. Com o dorso da mão limpou as migalhas de pão nos  cantos da boca, “Estava tomando café,” ela explicou, sorrindo  alegremente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Rachel? Teu irmão ao telefone.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela  seguiu Dona Marta para dentro da entrada de sua casa e pegou o aparelho,  “Oi, Toninho, e aí? Por que você não ligou para casa?” &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Estamos com um problema. Desça com o Osni. Preciso falar com vocês  dois. Estou no carro, estacionado há dois quarteirões para frente.” &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O quê?” Ela perguntou perplexa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não posso falar agora. Venham.” &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Sentado no carro, Antonio esperou. Apesar de seus sentidos estarem  alerta, ele, propositalmente, exibia calma. De relance se observou no  espalhou retrovisor conferindo sua aparência e ficou satisfeito em ver  que combinava com o bairro. De terno e sapato lustrado, Antonio  mantinha-se na postura descontraída que costumava ter quando se sentia à  vontade. A diferença era que, desta vez, usava bigodes e carregava um  revolver debaixo do paletó.&lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-9110641910651339260?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/9110641910651339260/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=9110641910651339260' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/9110641910651339260'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/9110641910651339260'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/06/37-nao-quero-te-perder_07.html' title='37. Não quero te perder'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-2363212257924638430</id><published>2011-04-28T14:33:00.002-03:00</published><updated>2011-05-01T18:10:01.046-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='036. Sangue frio'/><title type='text'>36. Sangue frio</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Um dia, o sangue frio finalmente ressurgiu no horizonte de sua vida.  Após dias trancado em um apartamento com venezianas semi-fechadas,  Antonio sentiu uma mudança interior, como uma luz acendendo, e ele  começou a refletir. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em primeiro lugar, ele pensou, estava  lutando por uma boa causa, uma causa pela qual valia a pena arriscar a  própria vida. Em segundo lugar, ele estava armado e tinha uma excelente  pontaria, de modo que podia confiar em sua habilidade de auto-defesa.  Terceiro, a polícia era brutal, mas não bem organizada. E, &lt;i&gt;last but not least&lt;/i&gt;,  uma bala no peito deles iria ferir tanto quanto no dele. Estavam  empatados. Como o raciocínio lógico lhe confortava. Nada mais de viver  escondido e com medo. Os medrosos são os primeiros a morrer&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio respirou fundo, silenciosamente fazendo sim com a  cabeça enquanto ensaiava seu próprio raciocínio. Se aquela era sua  realidade, havia de ser enfrentada sem vacilar, devendo ele estar pronto  para o vier. Entretanto, havia um ponto fraco. O que aconteceria se  fosse pego de surpresa? O elemento inesperado era seu calcanhar de  Aquiles. Portanto, ele deveria ficar constantemente alerta, pois o  choque repentino iria desencadear o pânico, e com ele a parálise da ação  e a confusão do pensamento. Sangue frio e raciocínio claro haviam de  ser preservados. Sem eles, nem mesmo uma arma poderosa seria de  utilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele olhou para Maria. Ela estava cozinhando. Ela  levantou os olhos para conferir as crianças. Antonio observou sua calma.  Ele não teria nunca imaginado que uma mulher vinda de uma família  conservadora como a dela, e sem nenhuma experiência própria fosse reagir  de uma forma aparentemente tão serena. Para além da imagem de dona de  casa, ele a viu sob uma nova luz.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-2363212257924638430?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/2363212257924638430/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=2363212257924638430' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2363212257924638430'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2363212257924638430'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/04/36-fique-frio_28.html' title='36. Sangue frio'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3366367402834918717</id><published>2011-04-18T10:09:00.001-03:00</published><updated>2011-04-18T10:09:43.955-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>O dia que durou 21 anos, I</title><content type='html'>&lt;iframe allowfullscreen="" frameborder="0" height="351" src="http://www.youtube.com/embed/NU7S4CwrwVA" title="YouTube video player" width="432"&gt;&lt;/iframe&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3366367402834918717?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3366367402834918717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3366367402834918717' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3366367402834918717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3366367402834918717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/04/o-dia-que-durou-21-anos-i.html' title='O dia que durou 21 anos, I'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' 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rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/7424500666986976319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=7424500666986976319' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/7424500666986976319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/7424500666986976319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/04/o-dia-que-durou-21-anos-ii.html' title='O dia que durou 21 anos, II'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' 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rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/8215105456885959860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=8215105456885959860' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/8215105456885959860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/8215105456885959860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/04/o-dia-que-durou-21-anos-iii.html' title='O dia que durou 21 anos, III'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://img.youtube.com/vi/UObjtqKg0ps/default.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3625350294108639925</id><published>2011-04-08T17:37:00.002-03:00</published><updated>2011-04-08T17:37:37.630-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='035. E agora'/><title type='text'>35. E agora?</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio acordou e se deu conta que estava assustado. As coisas não iam  voltar ao normal. De fato, normalidade era um conceito que tinha  repentinamente desaparecido de sua vida, de &lt;i&gt;suas&lt;/i&gt; vidas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Ele se sentiu preso. Maria estava deitada ao lado dele, dormindo ainda.  Ele olhou à sua volta, as paredes do apartamento pareciam esmagá-lo.  Cordas invisíveis impediam seu movimento. Se havia algo do qual ele  tinha pavor era a sensação de não poder mover-se livremente.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Levantou-se da cama estreita. As persianas das janelas deixavam filtrar a  luz do sol, brilhante e alegre como sempre em pleno verão. Ele queria  abrir as janelas e deixar entrar o ar fresco da manhã. Mas será que  podia? E se alguém o visse, invadisse a casa em qualquer hora do dia ou  da noite? E o arrastasse para os famosos locais de tortura da polícia?  Arrepiou-se. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O mundo de for a, pelo qual ele havia andado tão  à vontade, representava agora autêntico perigo. As ruas não eram mais  um lugar seguro. Pela primeira vez, uma sensação tangível de medo  espalhou-se pelo seu corpo e ao seu redor. Ele podia respirá-la,  cheirá-la, sentir seu gosto. Dominante, poderosa ansiedade que  desintegra idéias, confiança e esperança.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio sacudiu-se  deste estado de espírito e foi para cozinha preparar o café da manhã.  Não queria deixar-se ir desse jeito. Da bancada da pia, ele lançou um  olhar sobre seus filhos, os três dormiam pacificamente sobre o sofá. O  que deveria fazer com eles? Seu coração tremeu em suspense, mas ele  rapidamente voltou para a racionalidade. Nada de pânico.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3625350294108639925?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3625350294108639925/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3625350294108639925' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3625350294108639925'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3625350294108639925'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/04/35-e-agora_08.html' title='35. E agora?'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-5439595204806092218</id><published>2011-03-31T16:00:00.013-03:00</published><updated>2011-04-02T11:25:54.161-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='010. Vida de Família em Araçatuba'/><title type='text'>10. Vida de família em Araçatuba</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Como um suave e gentil rio a vida em Araçatuba fluia estável e pacífica. Nossa casa tinha um jardim na frente que eu explorava em liberdade. Além da baixa cerca branca, a rua tranquila com pessoas amigáveis que passavam ocasionalmente completavam a vista. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entretanto, minha mãe Maria não estava tão entusiasmada como antes. A cidade era quente demais e as gravidezes haviam lhe haviam dado a sensação que fosse ainda mais quente e insuportável. Ela sentia falta de sua família, que vivia a centenas de quilômetros de distância, na cidade de São Paulo. Seu irmão mais velho havia casado e uma bebê nascido. Teria sido bom ter seu pessoal perto. A família de minha mãe era mais do tipo convencional, com definido papeis tradicionais para cada um. Apesar disso poder ser claustrofóbico, papei predizíveis dão uma sensação de conforto. A família do meu pai ao invéz era completamente diferente e tão fascinante quanto às vezes complicada.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Seus irmãos eram ainda jovens demais para ter casado. Rachel tinha 18 anos e Osni 16 na época em que nasci. O estilo de vida do qual eles gozavam oferecia-lhes a independência de ir por aí livremente e experimentar o mundo que pessoas como minha mãe nunca teriam mesmo após deixar a casa paterna, pois estariam casadas com filhos e novas responsabilidades.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tia Rachel era um moleque. Ela resistiu às tentativas de sua mãe&amp;nbsp; de colocá-la no papel de dama com vestidos sedosos e perolados e graciosos penteados. De vez em quando a agradava, para logo em seguida voltar a seu estilo preferido: shortes e camiseta, e uma longa trança balançando nas costas. Ela aceitou, porém, uma das marcas da nobre perspectiva de sua mãe com relação à educação feminina: as aulas de piano, um treinamento que ela levou adiante por muitos anos. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Tia Rachel era, como sua mãe, atraída por coisas e pessoas japonesas. Ela passava seus dias no templo Budista, onde encontrou seu amigos para a vida e seu primeiro amor. Quando minha mãe entrou na família, a Rachel e um jovem monge eramo muito próximos. O moço de bela aparência e sábio atraiu fortemente a Rachel para ele. Quando ele retornou ao Japão, tia Rachel passou um longo tempo na dúvida se iria segui-lo. Sentia saudades. Vovó Lourdes ficou ansiosa e, conforme disse para minha mãe, escondeu as cartas da filha as cartas que ele enviava por medo que esta pudesse mudar-se. Mas Rachel recebeu algumas delas quando acontecia do carteiro pegá-la em casa. Conversou com sua melhor amiga e a família dela a qual, por pertencer a outro grupo budista, sugeriu que a linha do monge não valia a pena. Mesmo assim, a relação sobreviveu por meses através de cartas de ambos os lados. No final, um dia Rachel encontrou o pacote de cartas escondidos no fundo de uma gaveda. Foi uma dolorosa descoberta. Ficou brava com sua mãe e as duas discutiram. Logo depois ela foi para São Paulo, onde de vez em quando havia ido para fazer algum curso. Desta vez ela foi para ficar. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Osni era esbelto e de media estatura; um moço bonito, loiro de animados olhos verdes. Nunca em casa, ele amava animais e, apesar de também caçá-los de vez em quando, era ternamente capaz de cuidar de uma pata ferida ou de uma pele machucada, ou enfim de nutrir um filhote órfão. Ele tinha a habilidade do garoto acostumado a viver no meio da natureza, entre animais de todo tipo. Seu espírito sentimental entrelaçava-se com uma abordagem astuta para com a realidade e as pessoas. Sempre de bolsos vazios, ele buscava formas de conseguir dinheiro para pagar por um suco quando com os amigos ou mesmo comprar uma camisa nova, pois Osni era vaidoso. Uma vez aconteceu dele forçar a porta de casa quando não estávamos para pegar umas amostras de medicamentos do depósito de meu pai para vendê-las nas farmácias.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha mãe sentiu-se muito bemvinda pelo Osni. Ele não tinha nenhum interesse para preservar. A presença dela na família não representava ameaça alguma para ele. Ao contrário, ele apreciava seu jeito maternal e quando por perto degustava doces e comida, brincado e fazendo piadas como sempre. Os dois tiveram uma relação respeitosa e afetuosa desde sempre.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sobre Osni não estavam postas reais exigências. Ele cresceu fora das rígidas fronteiras que vovó Lourdes estabeleceu para seu primeiro filho, Antonio, e de alguma forma para sua filha, Rachel. Osni parecia como uma sobra, por isso mais livre e solto. Ele, como Rachel, era brincalhão e tão charmoso quanto esperto. Não sempre confiável, porém.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Meu pai, ao contrário, havia sido criado para ser o herói da família. Sobre seus ombros pesavam solenes expectativas surgidas do coração de sua mãe. A natureza possessiva de vovó Lourdes manobrava ocultamente. Ela não conseguia se segurar. Carente e só, ela tremia cada vez que imaginava estar perdendo o vínculo com o seu Antonio, o qual não podia simplesmente deixar cair suas esperanças e voar longe. Sendo valorizado e apoiado por ela, ele também sentia-se responsável por não causar-lhe mais dores daquelas pelas quais ela já lamentava. Portanto, a política de meu pai consistia em agradá-la, ou nas palavras dele, em ser tolerante. E aqui estava o ponto que mais incomodava minha mãe. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando meu pai casou, quem quer que fosse sua esposa, não iria ter uma vida fácil na família dele. Desde o começo do casamento, vovó Lourdes costumava visitar o novo casal quase todos os dias. Ela espreitava sobre a vida deles e sobre como minha mãe administrava a casa. Tudo era uma espécie de novo mundo mágico onde vovó respirava aquele abraço familiar acolhedor que ela nunca recebeu. Infelizmente, ela com frequência usava mal sua influência defletindo-a para pregações e direcionamentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Vovó Lourdes sofria incessantemente do medo de ser traída, sobretudo depois que havia se tornado repentinamente rica. Ela desconfiava da ajuda profissional para administrar suas propriedades. Portanto, seu amigo e referência era seu primeiro filho, Antonio, meu pai. Esta era mais uma razão para aparecer em casa. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os lanches da tarde eram o momento favorito para vóvó Lourdes chegar em casa. Ela gostava de tomar seu café bem fraco, o chamávamos de chafé. Sentada e sorrindo radiosamente, ela esperava para ser servida pela jovem e gentil italiana, minha mãe. Já que a última havia passado sua vida em trabalho e obediência, ela não sabia como mudar esse padrão. Do ponto de vista de vovó Lourdes, a união de meus pais devia ter-lhe aparecido a perfeita combinação de dons. Seu filho lhe dava atenção enquanto sua nora era uma excelente cozinheira e uma mulher paciente. Amor e comida reunidos. Ela nunca deixou nossa casa sem ter comido algo saboroso. Quando a nonna Pasqua vinha nos visitar, ela cozinhava suas delícias e abertamente as oferecia à vovó Lourdes. Como era seu hábito, nonna Pasqua era socialmente sempre muito agradável. Mas isso não significava que ela gostava de sua hóspede. Assim que a outra saia de casa, nonna Pasqua criticava sua gula.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As mentalidades das duas famílias eram incompatíveis. Vovó Lourdes pertencia à classe dos proprietários de terra acostumados a ter empregados domésticos. Nonna Pasqua vinha de uma família pobre que nem possuia um banheiro em casa e para a qual os filhos eram uma importante força de trabalho para a sobrevivência da famíla. Vovó Lourdes ao contrário tinha constantemente alguém em casa, uma empregada ou uma das garotas que ela adotou, a qual, mesmo trabalhando tinha uma vida melhor daquela que havia deixado junto à sua paupérrima família. Na cultura de nonna Pasqua ter uma empregada seria um absurdo, uma vez que há os flhos para fazer o serviço. Vovó Lourdes nunca entregaria as atividades domésticas para seus filhos. Em seu mundo a força de trabalho era barata e conveniente para ambas as partes. Uma garota contratada iria encontrar abrigo e comida além de seu pequeno salário. Isto era normalmente melhor para ela do que ganhar mais e ter que pagar por todas as contas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Nonna Pasqua havia sido uma mãe fria, nenhuma ternura ou toque amoroso eram reservados para seus filhos. Ela agradava os hóspedes, nunca eles, com exceção de seu filho mais velho o qual ela servia e que trabalhava do alvorecer ao entardecer. Vovó Lourdes ao invés dava grande importância ao agrado e ser agradada, não qualquer um porém. Ela tinha suas preferências e as mantinha sem questionamentos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cozinhar era, para Pasqua, a ocupação feminina proeminente, junto com os cuidados da casa. Ela portanto não podia admirar uma mulher da sua idade que não se dedicava às mesmas coisas. Valores que não pertencessem à vida prática e diária não faziam sentido para Pasqua. O pão de cada dia: isto era importante. Seu horizonte esticava-se entre o pão salgado e o doce, com umas dúzias de deliciosas possibilidade do uso do grão entre eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Vovó Lourdes não cozinhava de verdade. Mas havia estudado e pretendia administrar propriedades. Ela apreciava coisas tipo Conhecimento, Patriotismo, Independência, Projetos e assim por diante. Infelizmente, ela viveu em um tempo e lugar onde uma mulher estudada e ambiciosas dificilmente podia ser aceita. Não conheceu ninhos sociais, mas um terreno constantemente instável. Para finalizar, ela passou quatorze anos com um homem que a agrediu verbal e emocionalmente e que tentou subjugá-la com todos os meios. Para vovó Lourdes era uma questão que uma pessoa ignorante não podia governar uma culta, sobretudo se fosse ela. Sua posição social estava construída sobre a certeza de sua superioridade devida a dinheiro e conhecimento, uma mentalidade que cabe como uma luva em séculos de história brasileira. Quando o dinheiro se foi e após ela ter finalmente se livrado do marido abusivo, a cultura e os hábitos mantiveram os gestos da doma orgulhosa, misturados nos tempos ruins com a autopiedade e a tristeza.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ambas as avós, entretanto, mantinham uma especial lealdade para com seus homens favoritos, que eram seus primeiros filhos. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando vovó Lourdes chegava em casa dirigia-se somente a meu pai. Naturalmente, eles tinha seus negócios para cuidar, os quais giravam em torno de terras, e de compra e venda. E minha mãe respeitava isso. Mas a inteira atmosfera estava temperada pelos projetos e sonhos dela com os quais ela tecia uma estreita e invisível rede em volta de seu filho. De vez em quando, ela parava, esticava a face e pedia-lhe um beijo. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela o criou para que ele personificasse o inteiro pacote que ela esperava de um homem: afeto e inteligência, beleza e elegância. Ela queria um homem que fosse abordável e tivesse habilidades de escuta.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ela conseguiu. Meu pai era tudo isso e obviamente manteve suas funções de filho após o casamento. Previsivelmente, minha mãe ficou de fora. Vovó Lourdes não a considerava parte da conversa. Para minha mãe, a qual não estava acostumada a expressar suas idéias, sobrava o “trabalho de esposa”: servir o almoço à sogra e ao marido. “Eles parecem namorados!” nonna Pasqua uma vez observou.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas minha mãe não era nem acéfala ou fraca. Sua primeira e única crise aconteceu quando estava grávida de mim. Vovó Lourdes havia estado em casa naquela tarde e a perturbou enormemente. Após ela sair, minha mãe não pôde mais engolir à força seus sentimentos. Esgotada, ela caiu em prantos. Quando meu pai chegou aquela noite ela lhe contou tudo o que pensava sobre sua mãe, o quanto ela era ciumenta, arrogante e controladora. Enfim, o quanto ela era insuportável.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele ouviu e a confortou, acalmando suas lágrimas. Ele acreditava que sua mãe era desafortunada com os homens, por isso triste e só, enquanto que minha mãe tinha sorte e era forte, não percebendo, desta maneira, a potência do comportamento opressivo de vovó Lourdes. Em nome da harmonia, ele pensava que sua mãe tivesse que ser aceita do jeito que era, e agradada porque, afinal, como ele genuinamente acreditava, isto não custava muito. Entretanto, daquele momento em diante ele evitou toda possível fricção entre as duas mulheres.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha mãe percebeu que estava por conta própria e decidiu mudar de tática. Tomou distância da sogra e todas as vezes que se encontravam inventava desculpas para não estar disponível. Falava pouco e fazia alguma outra coisa. Quando eles tinham que ir visitar vovó, minha mãe não ficava por perto deixando que os dois conversassem entre si. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Após meu nascimento as coisas pioraram, porque vovó Lourdes intervinha intensivamente. O clima de competição que surgiu era o que minha mãe mais detestava. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas meu pai percebeu que a situação estava realmente ruim e diante das constantes interferências de vovó, numa ocasião em que ela chegava à nossa casa, a abordou ainda na calçada e lhe disse: "Olha mãe, se a senhora continuar interferindo e fazendo intriga na minha familia eu CORTO com a senhora." Vovó assustou-se e incomodou-se. Dalí em diante, ela teve que fazer o esforço de conter sua avassaladora tendência a intrometer-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mesmo assim minha mãe se sentiu aliviada quando meu pai anunciou que iria procurar por um novo trabalho em São Paulo. Muitos de seus amigos já havia se mudado para lá, para trabalhar ou estudar.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Era tempo de mudar horizontes e abrir novos caminhos.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-5439595204806092218?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/5439595204806092218/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=5439595204806092218' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5439595204806092218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5439595204806092218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/03/10-vida-de-familia-em-aracatuba.html' title='10. Vida de família em Araçatuba'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-5169400520058937280</id><published>2011-03-29T22:26:00.001-03:00</published><updated>2011-03-29T22:26:19.170-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='034. Droga'/><title type='text'>34. Droga</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Totò voltou para casa furioso. Abriu com ímpeto a porta e berrou, “Pasqua!”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pasqua veio correndo da cozinha, alerta e confusa. “O que aconteceu, Totò?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Totò soltou uns grunhidos enquanto dava grandes passos para cima e para baixo da sala. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pasqua seguiu-o com os olhos, secando suas mãos no avental, “&lt;i&gt;Ce dai…?&lt;/i&gt;” Ela gemeu.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Totò parou de repente e a fitou com uma expressão em brasa, “Antonio veio à banca hoje,” ele disse.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pasqua escancarou os olhos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Ele falou que estão na praia. Não quis me dizer onde.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Maria e as crianças estão bem?” Perguntou Pasqua. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Ele disse que sim,” Totò parecia estar soltando fumaça.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Mas onde?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Vai saber! Em algum lugar, droga. Ele disse que estão a salvo.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Oh, &lt;i&gt;Gesù…&lt;/i&gt;” ela sussurrou.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Totò voltou a caminhar para cima e para baixo do quarto.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “E… o que mais…?” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Só isso! Ele foi embora.” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os passos de Totò se tornaram sempre mais pesados como se ele estivesse martelando o chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Ele é o típico brasileiro,” Totò explodiu, “essa gente não gosta de  trabalhar. Eu falei pra Maria, nunca tive uma sensação boa dele. Ela não  deveria ter-se casado com ele. Droga! Brasileiros são sem vergonha. Ela  tinha que casar com um italiano, alguém que sabe o que é trabalho duro e  que iria lhe dar uma casa e uma família. Nada de brincadeiras. Nada de  bobagens. Política! Quem se importa? A primeira responsabilidade de um  homem é a de manter sua família. Ponto. O resto é o resto, quando há  tempo, se houver tempo. Maria foi teimosa. Como pode? Ela sempre tão  obediente acabar casando um cara como o Antonio? Onde erramos?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Oh,&lt;i&gt; Gesù, Gesù&lt;/i&gt;,” lamentou-se Pasqua, “&lt;i&gt;C’hamma fe&lt;/i&gt;?”&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-5169400520058937280?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/5169400520058937280/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=5169400520058937280' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5169400520058937280'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5169400520058937280'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/03/34-droga_29.html' title='34. Droga'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-7501125942662262584</id><published>2011-03-24T16:15:00.001-03:00</published><updated>2011-03-24T16:15:03.440-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='033. Futuro nebuloso'/><title type='text'>33. Futuro nebuloso</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  A noite em que eles chegaram, Cardoso apresentou Antonio e sua família à  zeladora, dizendo que eles iriam ocupar seu apartamento por uns dias de  férias. As crianças estavam cansadas e a família foi levada para a  kitinete para descansar.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maria torceu o nariz quando entrou no  local. Um apartamento de um quarto era pequeno demais para cinco  pessoas acostumadas a uma casa grande com quintal espaçoso. Entretanto,  não havia tempo para discutir a situação. As crianças precisavam ser  atendidas. Por sorte, lençóis e cobertores limpos estavam no único  guardaroupa. Logo, os pequenos estavam dormindo no sofá e os dois  adultos deitaram-se, um do lado do outro, na cama pouco maior que um  colchão de solteiro.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Quanto tempo você acha que vamos ficar aqui?” perguntou Maria.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Talvez uns dias. Eles vão entrar em contato e nos dizer o que está acontecendo.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Está bem,” ela suspirou. “Boa noite,” e se virou do lado para dormir.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio permaneceu acordado, olhos no teto. A adrenalina correndo em  suas veias dava suporte ao seu sentimento de auto-confiança. Ação e  suspense contribuiam a dar-lhe um input de energia. Ele acreditava na  causa e sentia que estavam diante de um ponto de virada. Sua atençou  focou-se em qual seria a estratégia que a organização iria adotar,  agora. O disconforto de sua situação presente o deixava indiferente,  permanecendo ele concentrado no resultado final.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na primeira  semana de sua vida clandestina, Antonio teve uma explosão de audácia.  Andava pelas ruas como se o perigo estivesse muito distante. Para falar a  verdade, ele não se sentia assustado de forma alguma. Antonio ignorava  aquela condição social e emocional chamada “ilegalidade”. Ele vinha de  uma linhagem de gentes imbuídas de um sentimento de dignidade pessoal,  as quais se identificavam profundamente com sua nação e sentiam a  obrigação de fazer parte de sua história. Enquanto cidadão de seu país,  Antonio também estava contribuindo à criação de sua terra. Com Maria e  as crianças, ele ia à praia, caminhando ao lado da estação de polícia e  passando o tempo em meio à dúzias de outras famílias de férias.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-7501125942662262584?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/7501125942662262584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=7501125942662262584' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/7501125942662262584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/7501125942662262584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/03/33-futuro-nebuloso_24.html' title='33. Futuro nebuloso'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3849835434282946197</id><published>2011-03-18T23:11:00.001-03:00</published><updated>2011-03-18T23:19:13.739-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='032. Destruição'/><title type='text'>32. Destruição</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Pasqua  e Totò tinham certeza que iriam encontrar sua filha e netos em casa  quando decidiram visitá-los numa manhã ensolarada. O único dia de folga  de Totò pertencia à sua família. Numa longa vida de trabalho duro, o  prazer e a alegria chegavam através do tempo sereno que ele passava ao  lado das pessoas que amava. De poucas palavras, Totò comunicava seu  afeto por olhares e pela presença silenciosa mas atenta. Apesar de não  ser conversadeiro, ele permanecia o respeitado &lt;i&gt;pater familias&lt;/i&gt;, que podia  perder a paciência e a quem Pasqua se referia toda vez que precisava da  autoridade de sua palavra final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Segurando-se  no suporte das escadas do ônibus, Pasqua desceu cuidadosamente os  degraus carregando na outra mão uma bolsa com biscoitos feitos em casa.  Totò a esperava na calçada. Quando ela alcançou o chão, os dois se deram  o braço, iniciando a caminhar em passo sincrônico.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;O  céu estava azul e a temperatura alta, era o meio de um úmido verão  paulistano. Conforme a metade do dia se aproximava, núvens se juntaram  no céu começando a embaçar o ar límpido. Pasqua abanou o rosto com um  lenço, seu corpo robusto não mostrando sinais de fatiga. Eles viraram a  esquina para logo deter-se.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Carros da polícia estavam estacionado na frente da casa de sua filha. Pasqua e Totò se entreolharam, espantados, “&lt;i&gt;Ce dai…?&lt;/i&gt;” Pasqua não terminou sua frase. Polícia significava notícias ruins. Mas que tipo de notícia ruim, essa era a questão.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Com  pequenos passos, o medo prendendo sua vontade de correr para pedir  explicações, os dois avós foram cautelosamente adiante. Habituados a uma  vida humilde, estrangeiros num país estranho cujos costumes não podiam  compreender por completo, Pasqua e Totò não ousavam manifestar-se. Uma  coisa eles sabiam, que viviam em tempos perigosos.&lt;br /&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3849835434282946197?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3849835434282946197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3849835434282946197' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3849835434282946197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3849835434282946197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/03/32-destruicao_18.html' title='32. Destruição'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-4188551925193089076</id><published>2011-03-10T17:59:00.001-03:00</published><updated>2011-03-10T17:59:22.098-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='031. A queda'/><title type='text'>31. A queda</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Aquela noite, quando Antonio chegou em casa, encontrou Maria e um jovem  que ele havia conhecido umas poucas semanas antes esperando por ele na  cozinha. Segurando um xícara de café, eles conversavam num tom  descontraído enquanto o rádio tocava o último sucesso. Antonio fitou,  inquieto, o homem, farejando algo. O cara era um mensageiro, sua  presença significava problemas. Maria, apesar de amigável como de  costume, parecia estar se controlando.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio dirigiu-se diretamente ao companheiro e esticou-lhe a mão, “Cardoso, certo?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sim, Paulinho. Tudo bem?” Cardoso acenou com a cabeça e se levantou para retribuir a saudação.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Tudo, obrigado.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio se virou para Maria e a beijou. Puxou, então, uma cadeira para  si, sentou na frente do homem e disse, “E aí, cara? O que está  acontecendo?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Cardoso fixou seu olhar nele, “Ismael e Xavier cairam.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Silêncio e assombro.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;“O que você quer dizer?” perguntou Maria, ansiosa.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Acreditamos que a polícia os pegou,” o tom grave de Cardoso permaneceu  calmo, apesar de seus olhos expressarem muito mais daquilo que ele  estava falando. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maria arrepiou, se levantou e fechou a porta da cozinha para que seus filhos não ouvissem. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Eles não apareceram ao ponto esta tarde, conforme marcado,” Cardoso explicou.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não pode ser. Eles estavam aqui ontem à noite,” Maria lutava contra a notícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio não moveu um músculo de seu rosto e não atendeu ao crescente nervosismo de Maria.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Você tem certeza?” Ela insistiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-4188551925193089076?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/4188551925193089076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=4188551925193089076' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4188551925193089076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4188551925193089076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/03/31-queda_10.html' title='31. A queda'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-7789458474251679740</id><published>2011-02-25T14:16:00.000-03:00</published><updated>2011-02-25T14:16:32.129-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='030. Acorda amor'/><title type='text'>30. Acorda amor</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Numa  ensolarada tarde de final de Janeiro 1969, eu e meus irmãos brincávamos  no quintal sobre uma velha táboa de madeira. Deslizávamos pela descida  de terra que chegava até o galinheiro. Após correr em volta da alta  árvore no fundo do quintal, pulávamos entre os brotos de verduras  recentemente plantados. A nonna sentada numa cadeira ao lado da porta da  cozinha desfrutava da vista. Ela riu e minha mãe deixou a máquina de  costura e deu uma olhadela pela porta para ver o que estava acontecendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;“Quem quer um pedaço de bolo?” Ela perguntou, divertida.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Galopamos  para a cozinha. Minha mãe apressou-se a&amp;nbsp; cortar um pedaço do bolo de  chocolate para cada um de nós. Agarrando-o, saimos tão rapidamente  quanto tínhamos entrado. Duke, nosso filhote, um cruzamento de pastor  alemão, pulava atrás de nós tentando pegar nosso bolo. Emitindo  gritinhos estridentes, nos dispersamos, deliciando-nos com a  brincadeira. Sua língua sacudia no ar e salivava ao aroma do doce e ao  calor do verão. Augusta saiu de seu quarto com um sorriso grande quanto  seu tamanho. Sua risada ecoou pelo quintal. Carregando uma cesta de  roupa, ela foi para o tanque num canto da área e abriu a torneira. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;No fundo, o radio tocava uma canção de Chico Buarque:&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;“Acorda amor&lt;br /&gt;Eu tive um pesadêlo agora&lt;br /&gt;Sonhei que tinha gente lá fora&lt;br /&gt;Batendo no portão, que aflição…”&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;i&gt;.... &lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-7789458474251679740?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/7789458474251679740/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=7789458474251679740' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/7789458474251679740'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/7789458474251679740'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/02/30-acorda-amor_25.html' title='30. Acorda amor'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-1129834840728037312</id><published>2011-02-21T16:11:00.003-03:00</published><updated>2011-02-23T16:25:18.077-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='029. Cutucando a onça'/><title type='text'>29. Cutucando a onça</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio desceu a rua e meditou sobre a conversa do dia anterior com o  Xavier. Antonio não o culpava por pensar em sair da organização; o rapaz  tinha somente vinte anos. Ele havia gravitado para a causa pelo  entusiasmo da juventude melhorar o mundo, talvez também pelo desejo de  encontrar um sentido para sua vida. Sua pressa juvenil devia ter  esbarrado contra novas dúvidas e medos. Antonio se perguntou há quanto  tempo o questionamento interior de Xavier estava acontecendo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Ele voltou sua atenção para a rua para conferir a direção. Carros  passavam pela avenida movimentada. Os postes de luz haviam acendido mas  seu trêmulo brilho não fazia diferença alguma. Os dias de verão eram  longos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O semáforo ficou verde e Antonio atravessou,  retomando o fio de seus pensamentos. Lembrou-se de Ismael contando que  havia pego Xavier olhando de relance para as janelas como querendo sacar  a localização da casa. Antonio dispensou o aviso. A curiosidade de Xavier  soava natural. Afinal, ser levado de olhos vedados para um lugar  desconhecido toda semana cutucaria a cobiça de qualquer um para violar  as barreiras invisíveis da discrição.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Naturalmente, estavam  todos conscientes de que menos informação cada um tivessem melhor seria  para todos. Circunspecção e confidencialidade eram as regras de ouro em  sua aliança revolucionária. Se a polícia os capturasse, não iriam poder  dedar os companheiros e seus aparelhos. Além do mais, nenhuma tortura  poderia fazer alguém dizer o que não sabia. Ou talvez sim? &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; De  qualquer forma, Antonio tinha certeza que Xavier não podia ter visto  nada que valesse a pena contar. As cortinas estavam sempre puxadas, o  quarto da frente da casa era mantido isolado de todos menos os poucos  amigos e a família; e quando no quintal, o alto portão de madeira não  permitia nenhuma vista do quarteirão. Xavier não possuia informações  concretas para dar. A menos, Antonio considerou, a menos que ele não  tenha conseguido ter alguma idéia do caminho até casa do centro da  cidade, onde os companheiros eram pegos. Estive fazendo o mesmo caminho  para casa ultimamente…, Antonio se deu conta.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Outro semáforo e  ele agora havia alcançando a pequena praça arborizada Cornélia, próxima  à Rua Clélia, onde ele tinha encontro marcado com o Pedro. Antonio  avistou o amigo de infância sentado num banco, seus olhos abaixandos, lendo o jornal. Deu grandes passos em sua direção, ansioso para  saber por que Pedro o havia chamado para conversar. Pedro e seu irmão  Nelson pertenciam à VPR, como Antonio, apesar dele não ter conhecimento  de suas posições, se é que ocupavam alguma, dentro da organização. Por  que este encontro agora?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-1129834840728037312?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/1129834840728037312/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=1129834840728037312' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/1129834840728037312'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/1129834840728037312'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/02/29-cutucando-onca_21.html' title='29. Cutucando a onça'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3602766010205811356</id><published>2011-02-08T22:58:00.000-02:00</published><updated>2011-02-08T22:58:20.534-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='028. O caminhão'/><title type='text'>28. O caminhão</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Evandro  e Luís entraram no escritório da transportadora, uma pequena sala no  segundo andar de um prédio de periferia. Uma jovem estava sentada à uma  velha mesa sobre a qual havia um telefone preto e uns papeis espalhado.  Ela levantou a cabeça e disse, “Oi, o que posso fazer por vocês?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Luís avançou na direção dela e se sentou defronte; lançou um rápido  olhar para Evandro, que logo pegou o assento ao lado dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Queremos alugar um caminhão,” disse Luís observando a garota que agora  sorrindo, expondo um vazio lateral entre seus dentes. “Temos que fazer  uma grande mudança, precisamos de algo bem espaçoso. Você tem um  caminhão assim?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Acho que sim, deixa eu ver,” ela respondeu, se levantando. Virou-se e abriu um alto arquivo cinza de metal descascado.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Luís olhou à sua volta. O escritório estava mal iluminado e com poucos  móveis rudes. A funcionária devia ter, Luís estimou, não mais de 16 anos  de idade. Sua pele olivastra, cabelo crespo e olhos escuros  testemunhavam suas origens étnicas miscigenadas. O corpo magro e seco,  tão comum entre a população brasileira, carregava os resultados da  insuficiente nutrição na primeira infância. Às dez da manhã, ela deveria  estar estudando, Luís pensou, mas como tantos jovens das classes  desfavorecidas, ela estava trabalhando. “Talvez ela frequente um curso  noturno,” Luís ousou acreditar e fez uma careta de desapontamento. Ele  sabia que os turnos vespertinos na escola pública eram tão ruins quanto  os diurnos, e com menor índice de frequência, pois os jovens estavam  cansados. “A educação está uma porcaria,” ele ponderou tristemente.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  A garota se virou, “Sim. Tem esse caminhão que voltou na semana  passada. Para quando precisam dele?” Ele perguntou vasculhando  desajeitadamente os papeis sobre a mesa até achar a agenda dos aluguéis.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Pode ser amanhã?” Perguntou Luís com um largo sorriso.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sim, estamos com pressa,” reforçou Evandro.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  A garota fitou-os com olhou confusos, mas, diante do visível interesse  deles, disse, “Vou pedir ao meu patrão se ele pode dar uma olhada no  caminhão esta tarde, assim amanhã de manhã estará pronto.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na saída, Evandro saiu rapidamente do edifício, dando largos passos.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O que foi?” Perguntou Luís, alcançando-o.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “O que essa menina está fazendo nesse lugar nojento? Ela deveria estar  na escola, droga!” Bradou Evandro, “Minha irmã caçula está na escola,  nesse momento, e tem mais ou menos a idade dela.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Tua irmã pertence à classe média e vai numa escola particular cara,” disse Luís adotando um tom paternal.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3602766010205811356?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3602766010205811356/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3602766010205811356' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3602766010205811356'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3602766010205811356'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/02/28-o-caminhao_08.html' title='28. O caminhão'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3515958929868163755</id><published>2011-02-08T22:56:00.006-02:00</published><updated>2011-02-09T21:52:05.541-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='028. O caminhão'/><title type='text'>28. O caminhão</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Evandro e Luís entraram no escritório da transportadora, uma pequena sala no segundo andar de um prédio de periferia. Uma jovem estava sentada à uma velha mesa sobre a qual havia um telefone preto e uns papeis espalhado. Ela levantou a cabeça e disse, “Oi, o que posso fazer por vocês?”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Luís avançou na direção dela e se sentou defronte; lançou um rápido olhar para Evandro, que logo pegou o assento ao lado dele.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Queremos alugar um caminhão,” disse Luís observando a garota que agora sorrindo, expondo um vazio lateral entre seus dentes. “Temos que fazer uma grande mudança, precisamos de algo bem espaçoso. Você tem um caminhão assim?”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Acho que sim, deixa eu ver,” ela respondeu, se levantando. Virou-se e abriu um alto arquivo cinza de metal descascado.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Luís olhou à sua volta. O escritório estava mal iluminado e com poucos móveis rudes. A funcionária devia ter, Luís estimou, não mais de 16 anos de idade. Sua pele olivastra, cabelo crespo e olhos escuros testemunhavam suas origens étnicas miscigenadas. O corpo magro e seco, tão comum entre a população brasileira, carregava os resultados da insuficiente nutrição na primeira infância. Às dez da manhã, ela deveria estar estudando, Luís pensou, mas como tantos jovens das classes desfavorecidas, ela estava trabalhando. “Talvez ela frequente um curso noturno,” Luís ousou acreditar e fez uma careta de desapontamento. Ele sabia que os turnos vespertinos na escola pública eram tão ruins quanto os diurnos, e com menor índice de frequência, pois os jovens estavam cansados. “A educação está uma porcaria,” ele ponderou tristemente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A garota se virou, “Sim. Tem esse caminhão que voltou na semana passada. Para quando precisam dele?” Ele perguntou vasculhando desajeitadamente os papeis sobre a mesa até achar a agenda dos aluguéis.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Pode ser amanhã?” Perguntou Luís com um largo sorriso.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sim, estamos com pressa,” reforçou Evandro.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A garota fitou-os com olhos confusos, mas, diante do visível interesse deles, disse, “Vou pedir ao meu patrão se ele pode dar uma olhada no caminhão esta tarde, assim amanhã de manhã estará pronto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Na saída, Evandro saiu rapidamente do edifício, dando largos passos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O que foi?” Perguntou Luís, alcançando-o.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O que essa menina está fazendo nesse lugar nojento? Ela deveria estar na escola, droga!” Bradou Evandro, “Minha irmã caçula está na escola, nesse momento, e tem mais ou menos a idade dela.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Tua irmã pertence à classe média e vai numa escola particular cara,” disse Luís adotando um tom paternal.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “É,” Evandro continuou caminhando rapidamente, “A classe média nesse país não conta, somos muito poucos…”&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “E vive estrangula entre uma grande massa de empobrecidos e um punhado de ricos que só pensam em aumentar o tamanho de suas barrigas,” Luís cuspiu no chão, “Este é o nosso país, camarada.” &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Por outro lado,” Evandro disse, com um olhar malicioso, “pensando bem, esta é justamente a oposição entre dois extremos sociais preconizada por Marx como ideal para realizar a revolução socialista.” &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Exatamente… E vamos sacudir essa ditadura. E vamos derrubá-la!” Luís afirmou com ênfase.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Passando à ação, você sabe como chegar à chácara onde vamos trabalhar no caminhão?” Evandro perguntou, virando-se para Luís.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sim, está do outro lado da cidade. Dois outros companheiros estão prontos para se juntar a nós amanhã. Acho que temos tudo o que é preciso para camuflá-lo de veículo militar.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Vai ser uma grande ação,” disse Evandro com um sorriso triunfante.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eles alcançaram o carro, “Entra,” disse Luís, “Vou te deixar em algum lugar bom para você.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Isso,” respondeu Evandro, “Vamos embora desse fim de mundo.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No dia seguinte, na hora acertada, a funcionária da transportadora os levou para o páteo do edifício onde o caminhão estava estacionado.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Parece em boas condições,” disse Luís dando uma volta ao redor do veículo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Evandro fez sim com a cabeça e, olhando para a garota, “Vamos assinar o contrato.” &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Esta lhe passou duas folhas, que ele assinou e devolveu a ela.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O senhor tem que devolver o caminhão no final do dia, antes que a gente feche, às 18hs.” Ela avisou e, dando uma meia volta, apontou para um homem, de uns quarenta anos, de pé apoiado contra a parede, tomando o café oferecido pela empresa. “João vai ser seu motorista.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O homem saiu das sombras e andou na direção do caminhão. Magro e de baixa estatura, com a face marcada por pequenas cicatrizes e os olhos escuros, ele caminhou numa postura de aprendida obediência. Subiu no caminhão e se sentou ao seu lugar, esperando pelos alugadores para entrar.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sacudindo-se de seu transe, Luís tirou os olhos do homem e disse, “Sim, vamos.” &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ele e Evandro subiram no veículo, o motorista ligou o motor e lentamente deixou o páteo.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Para onde vou?” O homem perguntou.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Pegue a marginal e te falo quando sair,” Luís respondeu.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Viajaram em silêncio. Após uma meia hora, Luís deu sinal para pegar a próxima saída. Logo se encontraram numa estrada larga com pouco tráfico e algumas casas em meio a árvores.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Pare naquela esquina,” pediu Luís.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O homem diminuiu a velocidade e parou como pedido.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Agora, por favor, desça. Vamos pegar o caminhão daqui para frente.” Luís estava firme e calmo, fitando o motorista.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Sentindo-se assustado, o homem protestou, “Não, se eu lhe dou o caminhão, vou perder meu emprego.” Seus olhos suplicantes pareciam perdidos, “Tenho família, não posso voltar para casa sem trabalho…” Ele encolheu-se no assento.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Você não é responsável por isso,” disse Luís e moveu levemente a jaqueta, expondo um revolver.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O homem escancarou os olhos.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Você não vai perder seu trabalho,” Luís assegurou e, enfiando a mão no bolso, tirou um dinheiro, “Toma, compra o bilhete do ônibus e volta para casa.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O motorista agarrou as notas, abriu a porta e desapareceu.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3515958929868163755?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3515958929868163755/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3515958929868163755' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3515958929868163755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3515958929868163755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/02/28-o-caminhao.html' title='28. O caminhão'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-6087548224101591824</id><published>2011-01-16T22:46:00.000-02:00</published><updated>2011-01-16T22:46:11.871-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='027. A última ação'/><title type='text'>27. A última ação</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio deixou os companheiros limpando armas e foi buscar Laércio na  avenida principal de um bairro distante. Como haviam sido previamente  avisados, eles teriam uma reunião no aparelho.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Deve ser algo importante,” Antonio pensou, e pegou um atalho para encontrar Laercio e voltar para casa o quanto antes. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio viu o líder apoiado contra um poste da luz, observando  casualmente os transeuntes. Parou o carro e o homem rapidamente entrou  nele. “Oi, Paulinho,” ele disse.&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Tudo em ordem?” Antonio perguntou, mantendo seus olhos na M&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Sim.” Laércio se acomodou no assento e tirou um rolo de papeis de  dentro de uma sacola cinza. “Temos um plano para lhes apresentar. Está  todo mundo no seu aparelho?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Estão esperando por você,” Antonio respondeu.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Eles chegaram à casa quando o entardecer escurecia o céu. Ismael,  Xavier e Bento haviam terminado de limpar e guardar as armas e estavam  agora conversando tranquilamente na entrada do quintal. Assim que o  portão abriu, eles fizeram espaço para o veículo entrar e fitaram  Laércio e o rolo de papeis que ele levava. Após uns amigáveis tapas nas  costas, o grupo entrou na casa pela porta de trás da sala e se juntaram à  Maria e às crianças. Uma atmosfera afetuosa os acolheu.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os  pequenos se levantaram e correram para seu pai e os outros homens, que  eles amavam como membros de sua família extensa. Laércio sorriu e passou  a mão na cabeça do André. Xavier pegou o Alexandre no colo e fez  caretas engraçadas para a felicidade do menino. Adriana com um alegre  sorriso pegou a mão do pai como que esperando ir com eles.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-6087548224101591824?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/6087548224101591824/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=6087548224101591824' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6087548224101591824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6087548224101591824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/01/27-ultima-acao_16.html' title='27. A última ação'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-2804431269038116331</id><published>2011-01-01T22:08:00.000-02:00</published><updated>2011-01-01T22:08:20.728-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='026. Gente poderosa mentes fracas'/><title type='text'>26. Gente poderosa mentes fracas</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Maria desviou a atenção das verduras que estava cortando e virou-se  para o quintalzinho onde estavam suas crianças. Ela sorriu à expressão  de Adriana que olhava maravilhada para o gigantesco veado de pelúcia que  havia recebido como presente de Natal. Os olhos da filha brilhavam de  animação, enquanto acariciava o pêlo fofo preto e beige do brinquedo. A  menina inclinou a cabeça de lado, observando longamente seu presente. Um  sentimento de ternura tocou o coração de Maria.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Perto de  Adriana, André se esforçava para desembrulhar um volumoso elefante de  pelúcia, redondo e cinza. O largo sorriso em seu rosto contava o quanto  ele estava feliz. Assim que o brinquedo foi finalmente retirado do  embrulho, André pendurou-se no pescoço do animal num abraço apertado.  Enquanto isso, Alexandre lutava para desenredar seu presente por baixo  do papel colorido. Maria rapidamente enxugou as mãos e correu para  ajudá-lo. Um longo pescoço alaranjado com manchas marrons apareceu, os  pequenos cifres e o belo focinho de uma girafa foram enfim visíveis.  Gritando de alegria, Alexandre pulou várias vezes, esticando seus braços  para cima tentando alcançar as orelhas do animal. Maria beijou-lhe a  cabeça e se retirou para dentro, deixando as crianças no pequeno quintal  onde elas poderiam brincar tranquilas, inconscientes do mundo em volta  delas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Obrigada, mãe, pelos presentes que deu às crianças.  Foi uma linda surpresa para elas, nunca irão esquecer deste Natal,”  disse Maria, se juntado à sua mãe à mesa da cozinha. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Pasqua  levantou a cabeça, soltou uma risadinha alegre, e continuou a trabalhar a  massa. Seus braços pressionavam-na para frente e para trás, sem  piedade.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Agarrando uma cenoura cozinha e uma faca, Maria perguntou, “Como vão as&lt;i&gt; chiacchere&lt;/i&gt;, mãe?” As&lt;i&gt; chiacchere&lt;/i&gt;,  cujo nome significa “bate-papo”, eram pastelaria frita e crocante,  coberta com açúcar de confeteiro. Pasqua costumava prepará-las em  ocasiões especiais. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Mais uns minutos e estarão prontas para  serem fritas. E quanto falta para a maionese?” Pasqua perguntou soprando  para longe um cacho de cabelo caído sobre sua testa. Ela sempre  reservava para Maria os trabalhos que exigiam precisão e atenção; cortar  as verduras em pequenos pedaços para a maionese era um deles. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não muito, mãe,” Maria respondeu. “Não vamos demorar para o almoço. Carlo e Nina devem chegar a momentos.” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  A visão que a família teve ao redor da mesa de Natal era colorida e  convidativa. Sobre a toalha branca, havia o vermelho das tradicionais  orecchiette feitas a mão e o marrom avermelhado da carne no molho de  tomate, o branco da maionese sombreado pelas verduras variadas, o verde  da salada e o dourado dos bolinhos de carne. Como as cinco crianças da  casa já haviam almoçado na cozinha e estavam agora ocupadas com seus  brinquedos e brincadeiras, os adultos podiam se juntar em volta da mesa.  Acolhidos pelo gostosa aparência da comida, se sentaram degustando a  expectativa de um tranquilo Natal em família.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “&lt;i&gt;Mangia&lt;/i&gt;, Antonio, &lt;i&gt;mangia&lt;/i&gt;,”  repetiu Pasqua, com olhar de súplica. “Come que você tem que trabalhar  para sustentar três crianças.” Com um largo sorriso, lhe ofereceu mais  uma porção de oriecchiette com carne.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio havia comido o  suficiente para uns dois dias, mas não almoçava na casa de sua sogra com  frequência, assim achou melhor aproveitar da oportunidade. “Tudo bem,  dona Pasqua, mas só um pouco mais,” ele disse, risonho.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Carlo e  Leonardo, os irmãos de Maria, fizeram gracejos, acostumados como  estavam aos jeitos de sua mãe. “Você vai ficar gordo, Toninho,” zombou  Carlo. “Vamos sair para uma caminhada depois. É um belo dia de verão,”  riu Leonardo. E assim fizeram, após o tradicional café preto que  terminou a rica refeição.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-2804431269038116331?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/2804431269038116331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=2804431269038116331' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2804431269038116331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2804431269038116331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2011/01/26-gente-poderosa-mentes-fracas_01.html' title='26. Gente poderosa mentes fracas'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-6783901875021984818</id><published>2010-12-10T11:14:00.002-02:00</published><updated>2010-12-10T11:14:52.119-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='025. Assalto à Casa Diana'/><title type='text'>25. Assalto à Casa Diana</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Uma  revolução precisa de armas. Mas a Vanguarda Popular Revolucionária só  tinha os nove FALs pegos da guarda do Hospital Militar do Cambuci.  Aquelas eram armas pesadas de uso militar. Além disso, a munição para  elas não podia ser encontrada em lojas de armas para civis. Portanto, os  companheiros da VPR dispuseram-se a resolver seu ponto fraco.&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Vamos procurar uma loja tranquila de um bairro mais periférico,” Luis propôs, “e a expropriamos.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “De jeito nenhum,” disse Antonio, “não faz sentido. Uma loja periférica  não vai ter muita coisa. Precisamos mirar a uma central para esta  ação.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eles estavam fora da casa, de pé, ao lado do portão de  madeira, num canto sombreado do quintal. O encontro incluia Luis, que  não pertencia à base, mas que entretanto era um dos líderes da VPR, uma  questão dessa importância precisava ser discutida com cuidado. Ismael,  Xavier e Bento, os homens do aparelho, também estavam presentes, e  ouviam atentamente. O rosto grave do Ismael fez um sinal de  consentimento. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Ele tem razão.” Xavier disse, “se queremos uma boa colheita devemos ir ao lugar certo.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Silêncio.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Ousar assaltar uma loja central, perto de pessoas e polícia, sem fácil  rota de fuga era um perigoso salto em suas atividades políticas  revolucionárias. A vontade de agir misturava-se com o respiro profundo  que precisavam dar antes de se mexer. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Que tal aquele  estabelecimento na Avenida Rangel Pestana, no Brás? Vi que tem duas  grandes vitrines, e também está num ponto excelente. É fácil de fugir de  lá.” Disse Bento.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Conheço bem aquele local, estive lá várias  vezes. Parece grande do lado de fora, nas na verdade não possui uma boa  variedade de armas.” Disse Antonio, e é a loja do irmão do meu sogro,  ele pensou.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Certo,” Luis respondeu pensativo, “vamos pensar em algum outro lugar...”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Escutem,” continuou Antonio, “eu conheço as lojas de armas de São  Paulo. Vocês sabem que gosto de armas e até só por prazer já visitei  todas elas e conversei com funcionários e gerentes. Tem somente uma loja  que não conheço, uma elitista e cara, mas todas as outras me são  familiares.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Então, o que você propõe, Paulinho?” perguntou logo Luis, e todos olharam para Antonio.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sugiro a Casa Diana. Ela possui uma boa quantidade de arma.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Ótimo,” disse Luis. E o grupo começou a organizar a ação.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  A Casa Diana era um belo estabelecimento central localizado na Rua do  Seminário, uma rua de mão única que começava na conhecida Praça Santa  Ifigênia. A cinco quarteirões ficava um posto policial. Apesar da  preocupação que isso causava, o grupo acreditou que o assalto seria tão  rápido que não daria tempo da polícia chegar.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os companheiros  da VPR, individualmente, e em diferentes dias e horas, visitaram a loja e  compraram algo, conversaram com os funcionários e se familiarizaram com  o local e o quarteirão. Tomaram nota do número de empregados e dos  hábitos comerciais. O tráfego e a via de fuga foram também estudados,  não ultimo as opções de estacionamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Acho que um dos  nossos, alguém que não vai tomar parte no assalto, deveria dirigir até  lá mais cedo com seu próprio carro e estacionar na frente da loja. Deve  ser um carro elegante e novo, para não chamar a atenção. Ele deveria  rodar até conseguir o lugar certo, naquela hora do dia não vai ser  fácil.” Antonio disse.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Idéia inteligente,” Xavier exclamou entusiasmado. “Definitivamente, precisamos daquele lugar.” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “E como carregamos as armas? Mesmo o carro estando perto, elas vão ser bem pesadas.” Indagou Ismael. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Vamos ser sete caras,” respondeu Luis, “gente suficiente para carregá-las. Vou levar uma bolsa grande o bastante.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio propôs levar pedaços de lona e barbante para que cada um deles  fizesse pacotes individuais, fáceis de carregar, but Luis achou que  seria demais. Eles tin ham que sair da loja o quanto antes.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; E o  plano foi definido, sem mais discussões. O assalto foi programado para a  quarta feira, dia 11 de dezembro de 1968, às seis horas da tarde.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-6783901875021984818?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/6783901875021984818/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=6783901875021984818' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6783901875021984818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6783901875021984818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/12/25-assalto-casa-diana_10.html' title='25. Assalto à Casa Diana'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-5508622885144281620</id><published>2010-11-17T21:58:00.000-02:00</published><updated>2010-11-17T21:58:11.392-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='024. A última festa'/><title type='text'>24. A última festa</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A primavera estava em plena florescência. Novembro havia chegado, meu mês de aniversário. E minha mãe planejou uma festa.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Os preparativos começaram o dia anterior. Há dois docinhos que haviam  de estar presentes em toda festa infantil: beijinhos de coco e  brigadeiro. Apesar de simples, tempo para serem feitos. Minha mãe pôs-se  ao trabalho logo após o almoço, enquanto a Augusta lavava os pratos. &lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Ela despeijou numa panela uma lata de leite condensado, acrescenntou  côco ralado, duas gemas, uma colher de manteiga e um pouco de baunilha.  Em seguida, acendeu o fogo e começou a mexer.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A senhora coloca gema nos beijinhos?” Augusta deu uma olhadela na panela, “Eu não costumo…”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Acho que dão mais sabor,” minha mãe respondeu, mexendo, incansável, a colher de pau na panela.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Posso experimentar um quando você terminar?” Eu perguntei, impaciente,  alongando O pescoço para enxergar o conteúdo da panela.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Claro que pode,” Minha mãe sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Quando finalmente o amálgama havia engrossado, foi tirado do fogo e  posto para esfriar num canto sombreado. Minha mãe começou logo em  seguida a preparar os brigadeiros. “Augusta, por favor, me dá a panela  que está aí.” Ela disse apontando para o escorredor de louça.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Mais uma lata de leite condensado foi aberta e esvaziada na panela.  Desta vez, chocolate em pó e duas colheres de manteiga foram  acrescentado. E o mesmo processo começou de novo: fogão, fogo baixo e  constante mexer. Dei-me conta que iria levar muito tempo até eu poder  saciar meu desejo e decidi dar um tempo. Subi as escadas e fui brincar  com minhas bonecas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando, após um tempo, voltei, o aroma de  chocolate pervadia o ar. Segui-o e me aproximei de minha mãe. Ela  retirou a panela do fogo e a colocou sobre a mesa, numa tábua de cortar o  pão. Lancei uma olhada na substância escura que havia engrossado e  desgrudado da panela. Se não soubesse o que era e se não tivesse nariz,  desconfiaria da densa mistura marrom.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;..... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-5508622885144281620?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/5508622885144281620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=5508622885144281620' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5508622885144281620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5508622885144281620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/11/24-ultima-festa_17.html' title='24. A última festa'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-698688449335349147</id><published>2010-11-08T12:32:00.002-02:00</published><updated>2010-11-08T12:32:50.875-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesias'/><title type='text'>No meio do caminho</title><content type='html'>&lt;div class="fr0" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;  No meio do caminho tinha uma pedra  &lt;br /&gt;tinha uma pedra no meio do caminho  &lt;br /&gt;tinha uma pedra  &lt;br /&gt;no meio do caminho tinha uma pedra.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca me esquecerei desse acontecimento  &lt;br /&gt;na vida de minhas retinas tão fatigadas.  &lt;br /&gt;Nunca me esquecerei que no meio do caminho  &lt;br /&gt;tinha uma pedra  &lt;br /&gt;tinha uma pedra no meio do caminho  &lt;br /&gt;no meio do caminho tinha uma pedra&lt;/div&gt;&lt;div class="fr0" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="aut" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;a class="autor" href="http://www.pensador.info/autor/Carlos_Drummond_de_Andrade/"&gt;Carlos Drummond de Andrade&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-698688449335349147?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/698688449335349147/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=698688449335349147' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/698688449335349147'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/698688449335349147'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/11/no-meio-do-caminho.html' title='No meio do caminho'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-8928804439674451963</id><published>2010-10-31T15:16:00.001-02:00</published><updated>2010-10-31T15:23:57.019-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='023. O privado e o político'/><title type='text'>23. O privado e o político</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maria sentia-se impaciente, “Você já falou com o teu chefe?” Antonio deu-lhe mais uma de suas respostas evasivas.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;i&gt; Tudo bem&lt;/i&gt;, ela pensou,&lt;i&gt; se ele não fizer nada, eu faço&lt;/i&gt;. Ela não iria  pedir ajuda ao Ismael ou ao Xavier, porque eles certamente não eram o  “chefe”. Ela achava que o terceiro homem, Bento, um ex marinheiro, tinha  uma posição mais alta na hierarquia revolucionária. Na verdade, ele era  o único com o qual ela não tinha uma relação pessoal, enquanto que o  Ismael e o jovem Xavier eram, de alguma forma, parte da família. &lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Assim,  Maria concluiu que eles não poderiam ajudar. Ela precisava de uma  autoridade, alguém acima de Antonio, porque este não a estava ouvindo. &lt;i&gt; Vou mostrar a ele do que sou capaz&lt;/i&gt;, Maria decidiu.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; No encontro  seguinte dos quatro homens, Maria tomou a iniciativa e entrou na  cozinha onde eles estavam sentados em volta da mesa, conversando e  comendo o lanche que ela lhes havia deixado. “Quem é o chefe, aqui?” Ela  perguntou. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eles se entreolharam perplexos, não acostumados  com o comportamento dela assim como com a idéia de um chefe entre eles.  Então, Bento respondeu, “O que tem, Maria?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Preciso conversar com você, em privado. Pode sair?” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Claro.” Bento levantou-se e a seguiu. De pele morena e cabelos  escuros, ele tinha uma aparência bonita, sobretudo, queria ser útil e  evitar qualquer atrito com ela. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Chegaram até as escadas e  Maria apontou para as caixas de dinamite debaixo delas, no canto escuro,  cobertas por um cobertor. “Eu não quero a dinamite aqui. É perigoso.  Temos crianças…” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A expressão perturbada de Maria preocupou o  homem, “Certo, certo. Você tem razão. Não sabia que estava aqui.”  Passando a mão nos cabelos, ele continuou, “Naturalmente, não pode ficar  aqui. Vamos retirá-la amanhã. Não se preocupe,” ele assegurou-a.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Obrigada.” Aliviada, Maria sorriu, apesar de ainda sentir-se  conturbada com a situação. Despediu-se de Bento e subiu as escadas  ponderando, o homem havia logo ouvido e concordado com ela enquanto que  seu próprio marido não lhe havia prestado atenção. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Bento voltou para a cozinha, a porta havia permanecido aberta permitindo aos outros ouvirem sua troca com Maria. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Pessoal, Maria está assustada. Precisamos tirar a dinamite de debaixo das escadas.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Levar aonde?” Perguntou Ismael com um ar de interrogação.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um olhou para o outro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-8928804439674451963?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/8928804439674451963/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=8928804439674451963' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/8928804439674451963'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/8928804439674451963'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/10/23-o-privado-e-o-politico_31.html' title='23. O privado e o político'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-1276209490952742426</id><published>2010-10-23T12:18:00.004-02:00</published><updated>2010-10-23T12:19:58.319-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesias'/><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>&lt;h3 align="center" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small; text-decoration: none;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;Carlos Marighella&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;h3 align="center" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small; text-decoration: none;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-weight: normal;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/h3&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Não         ficarei tão só no campo da arte,&lt;br /&gt;e, ânimo firme, sobranceiro e forte,&lt;br /&gt;tudo farei por ti para exaltar-te,&lt;br /&gt;serenamente, alheio à própria sorte.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;                  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Para         que eu possa um dia contemplar-te&lt;br /&gt;dominadora, em férvido transporte,&lt;br /&gt;direi que és bela e pura em toda parte,&lt;br /&gt;por maior risco em que essa audácia importe.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;                  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Queira-te         eu tanto, e de tal modo em suma,&lt;br /&gt;que não exista força humana alguma&lt;br /&gt;que esta paixão embriagadora dome.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;                  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;E que         eu por ti, se torturado for,&lt;br /&gt;possa feliz, indiferente à dor,&lt;br /&gt;morrer sorrindo a murmurar teu nome”&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;São         Paulo, Presídio Especial, 1939&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-1276209490952742426?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/1276209490952742426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=1276209490952742426' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/1276209490952742426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/1276209490952742426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/10/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-6414268516669048517</id><published>2010-10-22T11:15:00.002-02:00</published><updated>2010-10-22T11:15:49.909-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='022. O estoque de dinamite'/><title type='text'>22. O estoque de dinamite</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio esperava que o cheiro nausante do explosivo não se alastraria  demais uma vez que as caixas fossem cobertas por um cobertor. Ele  colocou os dez recipientes de madeira com dinamite debaixo das escadas.  Apesar do espaço vazio não ter uma porta que o isolasse, ele achava que  aquele fosse um bom lugar. Antonio acreditava que a forma mais eficiente  de esconder algo era misturá-lo casualmente entre as coisas do  dia-a-dia. E assim, os duzentos e cinquenta quilos de dinamite, de  alguma forma harmoniosa, coabitaram com as pessoas da casa. Nem mesmo  Augusta, a empregada, pareceu prestar atenção ao corpo escuro e duro  debaixo das escadas.&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando Maria lhe perguntou acerca do  conteúdo das caixas, Antonio lhe disse a verdade, também explicando que a  dinamite só poderia explodir se outra explosão ocorresse ao lado. E  quem iria jamais fazer isso? Maria não soube o que responder, como de  costume os argumentos de Antonio eram tão simples quanto convincentes.  Ele era racional. Mas ela era sensível, e se sentiu desconfortável. Seus  sentimentos se agitaram desagradavelmente dentro dela, o perigo se  ocultava por perto, apesar de ser somente uma remota e vaga  possibilidade. Após algumas semanas ela lhe pediu para retirar a  dinamite da casa deles. Antonio ganhou tempo. E o tempo passou.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Um novo carro foi adicionado, Antonio o dirigiu para dentro do quintal  uma noite. Mais um veículo expropriado, desta vez um grande Ford Galaxy  beige. Na manhã seguinte, ele contou à Maria sobre o automóvel que  estava na garagem.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Outro carro?” Maria perguntou.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Sim. A organização pode vir a ter que fazer de forma anônima tipos  diferentes de ação. A garagem deveria permanecer fechada.” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Tudo bem.” Maria não objetou.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “É melhor eu ficar com a chave.” Ele acrescentou e, dalí para frente,  Antonio era o único que entrava na garagem. O Fusca, sendo um carro  menor, foi estacionado na área da frente do quintal, perto do alto  portão de madeira que ficava atrás dele e a parede externa da cozinha à  sua esquerda. Havia ainda espaço para outro veículo, a Kombi que Antonio  usava para pegar os companheiros, e que era de propriedade da  organização. Para seus parentes que de vez em quando passavam para fazer  uma visita, Maria dizia, quando perguntada, que os carros eram de  amigos do Antonio, e de fato eles nunca eram usados por razões pessoais,  nem mesmo a Kombi.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; As poucas vezes que a inteira família  deixava a casa, acontecia a pé ou de ônibus. Seu principal destino era a  casa dos pais de Maria, geralmente de domingo para almoçar e passar a  tarde com eles. As crianças gostavam de ir na casa dos avôs, e de fato, a  acolhedora atmosféra agradava a todos. Enquanto as crianças brincavam  com os filhos de Carlo, os adultos comiam comidas gostosas e batiam  papo. Nessas ocasiões, Antonio relaxava e aproveitava o ambiente apesar  de ter pouco a acrescentar à conversa geral. Eles viviam separados  somente uns poucos quilômetros de espaço físico mas seus espaços mentais  ficavam a centenas de quilômetros de distância um dos outros. Eles não  tin ham nada em comum, fora Maria. Antonio aceitava a diferença e  evitava levantar assuntos que não pertenciam à mentalidade da casa. Ele  apreciava o que eles podiam dar e deixava as conversas mais interessante  para quando eram possíveis, o que significava para quando Leonardo  estava por perto.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Leonardo, o irmão mais novo de Maria,  frequentava a mais prestigiosa Universidade de São Paulo, ou talvez do  Brasil, a USP. O febril envolvimento político dos estudantes lhe  permitia estar constantemente atualizado sobre as novidades. Leonardo  simpatizava com a orientação geral de esquerda de seus colegas. O  assunto principal em novembro de 1968 eram as trinta e seis horas de  luta entre os estudantes da USP e os do Mackenzie, criadores do “Comando  de Caça aos Comunistas”.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-6414268516669048517?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/6414268516669048517/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=6414268516669048517' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6414268516669048517'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6414268516669048517'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/10/22-o-estoque-de-dinamite_22.html' title='22. O estoque de dinamite'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-6857797501113543531</id><published>2010-10-15T20:32:00.003-03:00</published><updated>2010-10-15T20:34:21.534-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='020. Armas e fogo'/><title type='text'>20. Armas e fogo</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Antonio estava parado no ponto combinado, de frente para a avenida  cheia de movimento de um sábado à tarde. Encostado no poste da luz, com  ar de descaso observava os pedestres enquanto prestava atenção nos  carros que vinham vindo. Agitados entre compras e negócios, ninguém  pareceu notá-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Um automóvel parou, com Laercio ao volante.  Antonio abriu a porta de tráz e rapidamente pulou para dentro. No  assento ao lado do motorista estava sentado outro homem, que Antonio não  conhecia. Um sorriu para o outro, “Oi, eu sou o Paulinho,” disse  Antonio.&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Vamos pegar o Lamarca primeiro,” Laercio virou-se para o Antonio, “Ele vai nos levar para o estande de tiro.” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Ótimo.” Antonio sempre gostou de armas e estava interessado em aprender a usar o novo e moderno fuzil automático FAL.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Um dos FALs do Hospital Militar do Cambuci está em seu aparelho, não é?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sim, bem guardado no meu guardaroupa, limpo e pronto para o uso.” Antonio respondeu. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Então, Larmarca juntou-se a nós, finalmente…” interrompeu o outro homem. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “É.” Laercio fez sim com a cabeça. “Após ter conversado com muitos  companheiros, ele se decidiu pela Vanguarda Popular Revolucionária.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Ele tem um alto cargo no exército e uma posição estratégica para nós.  Esta situação vantagiosa exige cuidado inteligente na escolha da hora  certa para agir.” Antonio interveio. &lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Imagino que as  passeatas e as lutas do ultimo ano devem tê-lo convencido que o momento  havia chegado,” o outro homem respondeu. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-6857797501113543531?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/6857797501113543531/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=6857797501113543531' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6857797501113543531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6857797501113543531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/10/20-armas-e-fogo_15.html' title='20. Armas e fogo'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-1517118965401544315</id><published>2010-10-07T18:36:00.002-03:00</published><updated>2010-10-07T18:36:58.049-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='021. Um empréstimo forçado'/><title type='text'>21. Um empréstimo forçado</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Ideais são coisas muito bonitas, mas como tudo na vida, eles precisam  de recursos materiais para tornar-se realidade. Marx apontou para isso  quando afirmou que a filosofia, com qual ele entendia a filosofia  hegeliana, a grande novidade no pensamento humano de seu tempo,  precisava ser posta de ponta cabeça.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Compreender o mundo não é  suficiente, precisamos mudá-lo”. Nelson citou Marx, e continuou,  “Palavras sagradas a respeito das quais a inteira Vanguarda Popular  Revolucionária certamente concordaria.” &lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sem bases materiais não vamos adiante,” Antonio replicou categórico.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Daí surgia a pergunta: como levantar os fundos para subvencionar a  revolução? A sombra do desequilíbrio de meios entre as duas partes, o  regime de um lado, com seus partidários, banqueiros e latifundiários e  eles, os oponentes, do outro, pessoas comuns sem contas na Suiça, era um  fantasma conhecido em todo encontro. O simples fato de ter que  sustentar aparelhos e atividades clandestinas implicava dispor de muito  mais dinheiro do que os negócios públicos normais iriam necessitar. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Nem a União Soviética nem os vitoriosos revolucionários cubanos vão  nos dar alguma coisa,” disse Nelson olhando para a verde copa acima  deles. “Não somos ninguém para eles.”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eles haviam se  encontrado num parque numa tarde de um belo dia de primavera. Antonio  tinha adiado um encontro com um cliente para poder ter uma conversa  particular com o Nelson e sobretudo com o Laerte, que a havia  requisitado. Antonio e Nelson sentavam sob uma árvore, cujo grande topo  formava uma espessa cobertura sobre suas cabeças, protegendo da já  quente temperatura. Esperando por Laerte, eles matutaram a respeito das  condições da revolução. Antonio esticou suas pernas sobre as pequenas  pedrinhas que formavam o caminho do parque e olhou à sua volta. O dia  era luminoso e limpo, o sol brilhava sobre as folhas e o ar fresco,  apesar do sol quente, refrescava os pulmões e oferecia a agradável  circunstância para uma clara reflexão.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Precisamos ser  realistas. Eles, justamente, não vão conceder fundos a companheiros que  não monstraram do que são capazes.” Antonio disse.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Exatamente. Temos que provar que somos sérios e merecedores. O que  temos feito até agora? Ainda estamos nos preparativos da guerrilha.”  Nelson chutou uma pedrinha, “Sequer temos como começar a aplicar a  teoria do Debray.”&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A direita e o próprio regime possuem uma  quantidade enorme de recursos. E eles não precisam esconder nada. Até o  mais podre pode ser feito à luz do dia, afinal, eles detêm o controle  sobre a política e a economia do país,” Antonio fitou o horizonte.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “E não esqueça do capital internacional, Toninho,” Nelson sussurrou,  “como também do apoio militar estrangeiro… Ouvi dizer que peritos da  guerra da Corea e do Vietnman estão treinando nossos soldados em  técnicas de tortura…”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio virou-se para ele: “Está falando sério?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “É o que está circulando. Afinal, a CIA é o principal agente promotor  da doutrina da Segurança Nacional pela inteira América Latina. Eles têm  seus interesses a preservar.” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio fitou Nelson com uma expressão conturbada mas não disse uma palavra.&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Permaneceram em silêncio por um tempo. Vozes de crianças chegavam do  playground ao lado. Pareciam serenas na agradável tarde de primavera.  Mães e babás sentavam em bancos batendo papo, outras seguiam inquietos e  curiosos bebês dando seus primeiros passos. O mundo em volta delas  parecia em ordem e em paz, como numa mágica bolha. Aquelas pessoas não  faziam a menor idéia de que uma tempestade poderia repentinamente se  abater sobre elas, sem razão nem explicação. As risadas e gritos das  crianças, como córregos invisíveis, trouxeram o eco de vozes e sensações  distantes da cidade natal. Antonio silenciosamente relembrou da  sossegada Araçatuba, uma ilha de segurança e afetos. O prazer de longas  conversas, o questionar e investigar eram ninados por famílias liberais e  um ambiente social livre e estável. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-1517118965401544315?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/1517118965401544315/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=1517118965401544315' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/1517118965401544315'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/1517118965401544315'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/10/21-um-emprestimo-forcado_07.html' title='21. Um empréstimo forçado'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-6645488123560489343</id><published>2010-09-25T10:17:00.000-03:00</published><updated>2010-09-25T10:17:35.609-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='019. O nosso aparelho'/><title type='text'>Para melhor entender os revolucionários</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Vale a pena ler &lt;/span&gt;&lt;span style="color: black; font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;teledrama  inspirado no clima e personagens da música "Das Terras de Benvirá", de  Geraldo Vandré; foi exibido em outubro/1978 na ECA/USP:&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://naufrago-da-utopia.blogspot.com/2010/06/sobre-arapongas-e-jornalistas.html" style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Geração Maldita&lt;/a&gt; &lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;por Celso Lungaretti.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/PDWuwh6edkY?fs=1&amp;amp;hl=en_US"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/PDWuwh6edkY?fs=1&amp;amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="360" height="270"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-6645488123560489343?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/6645488123560489343/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=6645488123560489343' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6645488123560489343'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6645488123560489343'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/09/para-melhor-entender-os-revolucionarios.html' title='Para melhor entender os revolucionários'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-5184034734565630541</id><published>2010-09-23T18:44:00.000-03:00</published><updated>2010-09-23T18:44:17.429-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='019. O nosso aparelho'/><title type='text'>19. O nosso aparelho</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Foi no longo feriado de 7 de Setembro, comemoração da Independência, quando nos mudamos para nossa nova casa, a última no Brasil. O bairro ficava um tanto distante de nosso apartamento anterior, sendo naquele tempo São Paulo já uma grande metrópoli. Apesar da região pertencer à mesma parte da cidade, meus avós tinham agora que pegar o ônibus para nos visitar, uma caminhada de quinze minutos já não bastava mais. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A vantagem da mudança, porém, era evidente ao primeiro olhar da nossa nova casa de dois andares. &lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Um cercado baixo e branco, empoierado pela estada, delimitava nosso lote da rua com trânsito de ambos os lados. No jardim precedia a residência, um caminho estreito o cortava em duas metades e levava para o ingresso. A vista parecia-me grandiosa e acolhedora.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; A porta da frente abria para um espaçosa entrada, que acabamos usando como uma salinha e canto de costura de minha mãe. Um par de cadeiras em moldura de madeira e assento macio de tapeçaria junto a um móvel baixo de duas portas criavam um ambiente íntimó onde se podia permanecer sem tomar conhecimento das atividades da casa. Esta área da habitação era um bom lugar para ser usado quando se brincava de esconde-esconde, pois era fácil esquecer dela, como se fosse um posto avançado da casa que se erguia protegendo os outros quartos.&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Somente os parentes e uns poucos amigos procediam da salinha da frente para o interior da casa, passando seu tempo conosco entre a sala de estar e a cozinha que ficavam no andar terreo, chegando por fim até o quintal. Os colegas de meu pai porém acediam à casa diretamente no quintal, após ter passado pelo alto portão de madeira escura que abria-se sobre o terreno de trás da casa. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era um sentimento de festa acordar de manhã e correr para baixo para tomar o café da manhã. A porta da cozinha que dava para fora estava geralmente aberta e o canto dos passarinhos panorama na área sombreada one tomávamos nossa primeira refeição. Raios de luz alongavam-se sobre a terra, convidando-nos para sair e respirar o ar fresco da manhã. &lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-5184034734565630541?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/5184034734565630541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=5184034734565630541' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5184034734565630541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5184034734565630541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/09/19-o-nosso-aparelho_23.html' title='19. O nosso aparelho'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-1382941890382115952</id><published>2010-09-21T23:00:00.000-03:00</published><updated>2010-09-21T23:00:15.898-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='018. Panem et Circensis'/><title type='text'>18. Panem et Circensis (Pão e circo)</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando ele chegou em casa naquele dia, Antonio estava pensativo. Cedo de manhã ele havia dado o primeiro passo que iria transportá-lo para uma nova fase de sua atividade política subversiva. Ele deu início à procura pela casa que iria ser o aparelho onde ele e sua família iriam residir como disfarces viventes para proteger o lugar do olhar dos xeretas. Mudar-se para um aparelho iria por em movimento um ciclo que non poderia ser interrompido, uma vez que a iniciativa fosse tomada não tinha como voltar atrás. &lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entrando na cozinha, ele viu Maria dando os últimos retoques à refeição que havia acabado de preparar. Ouvindo o ruído de seus passos, ela virou-se e sorriu: “Como foi teu dia?” ela perguntou gentilmente.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Foi bom,” ele disse, dando-lhe um beijo na bochecha, e acrescentou causalmente: “Estive na imobiliária lá na avenida.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maria parou o que estava fazendo e encarou-o, uma expressão hesitante estava gravada em seus olhos verdes: “Então está decidido. Vamos mudar…”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sim. Está tudo resolvido. A organização vai pagar por dois terços do aluguel mas o contrato estará no meu nome. Tome cuidado para não comentar com ninguém a respeito da função da casa. É um aparelho, o que significa um ponto de referência e uma espécie de pequeno quartel regional da organização.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maria tentou refletir, contudo ela não sabia o que pensar. Sua confiança nele prevaleceu: “Imagino que não haja nada de perigoso para nós.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Será seguro. Vamos ter uma casa maior, bem mais confortável do que esta daqui. Você vai gostar. Pedi para a corretora uma casa com um espaço quintal.” Antonio deu um largo sorriso mostrando-se confiante.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antes de juntar-se ao entusiasmo dele, Maria perguntou, “A organização é confiável?”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Claro, Maria.” Antonio respondeu bruscamente: “Nelson, minha maior conexão com eles, é meu amigo desde criança. Eu confio nele.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Relaxando satisfeita, Maria consentiu: “Vamos mudar, então.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio estava indo para tirar a roupa de trabalho e ficar mais à vontade, quando ela disse: “E, a propósito, hoje, durante o encontro com os estudantes, eu e as crianças estaremos na casa da minha mãe.” E foi pondo a pôr a mesa.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Boa idéia. Quando terminar, passo lá para pegar vocês e voltarmos juntos andando.” &lt;br /&gt;...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-1382941890382115952?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/1382941890382115952/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=1382941890382115952' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/1382941890382115952'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/1382941890382115952'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/09/18-panem-et-circensis-pao-e-circo_21.html' title='18. Panem et Circensis (Pão e circo)'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-5710525621600822200</id><published>2010-08-22T20:20:00.006-03:00</published><updated>2010-08-22T20:21:18.250-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='017. “Homens de Deus deveriam somente rezar”'/><title type='text'>17. “Homens de Deus deveriam somente rezar”</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha mãe estava costurando quando a campainha da porta tocou. Nos après Samos, antecipando a surpresa que nonna Pasqua havia anunciado cedo aquele dia. Entre gritinhos agudos e felizes e risos demos as boas vindas ao irmão mais novo de minha mãe, um jovem grave, que era também divertido quando ele decidia sê-lo. Tio Leonardo vestia uma camisa abotoada até o a gola. Magro e mais alto do que minha mãe, ele usava óculos com uma pesada moldura preta. &lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Seus cabelos bem escuros eram cuidadosamente penteados e repartidos de lado. Ele entrou sorrindo. Como de costume, segurava um livro numa mão, mas na outra havia um pacote colorido, com fitas e uma forma interessante. Alongado e estreito, o objeto imediatamente chamou nossa atenção. Eu e meus irmãos no reunimos em volta do seu lado direito, onde ele segurava o pacote com ar distraído. Ignorando propositalmente nossa ansiedade, ele comprimentou minha mãe com um beijo e um abraço. As visitas do tio Leonardo não eram frequentes. Sua vida dividia-se entre universidade e trabalho, além de sua namorada possessiva. Meu próprios avós o viam somente tarde de noite, quando ele chegava em casa, exausto, para fazer um lanche e dormir.&lt;br /&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Olhos para cima, André puxou o braço do tio Leonardo, suas grandes íris marrons implorando por atenção e morrendo de curiosidade. Adorávamos surpresas, sobretudo quando elas aconteciam fora das datas festivas. Não era o aniversário de ninguém, nem Natal ou Páscoa. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Tudo bem,” o tio Leonardo sorriu carinhosamente e pegou o André no colo, abrançando-o, “Você quer saber o que tem aqui dentro?”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sim, sim!” eu disse em voz alta, pulando de alegria como um coelhinho enquanto o André fazia sim com a cabeça. Alexandre no colo de minha mãe nos fitava tentando acompanhar a situação. Ele estava com um ano e sete meses, ainda um bebezão gorducho e sorridente, de bem com a vida mas pouco loquaz.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Então”, continuou o tio Leonardo, “Você vai ter que abri-lo.” E deu o pacote para o André, colocou-o no chão e sorriu enquanto assistia à nossa corrida até a mesinha de canto perto do sofá.  &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O que aconteceu, Leonardo? Por que essa surpresa?” perguntou minha mãe, levando-o para a cozinha onde ela começou a preparar o café da tarde.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-5710525621600822200?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/5710525621600822200/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=5710525621600822200' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5710525621600822200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5710525621600822200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/17-homens-de-deus-deveriam-somente.html' title='17. “Homens de Deus deveriam somente rezar”'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-4031685222726080334</id><published>2010-08-15T22:26:00.000-03:00</published><updated>2010-08-15T22:26:42.996-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>João Gilberto vaiado</title><content type='html'>&lt;object width="480" height="385"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/-HURo9pIyM0?fs=1&amp;amp;hl=en_US"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/-HURo9pIyM0?fs=1&amp;amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="385"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-4031685222726080334?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/4031685222726080334/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' 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width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-5127273166080417959?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/5127273166080417959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=5127273166080417959' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5127273166080417959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5127273166080417959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/sergio-ricardo-1967.html' title='Sérgio Ricardo 1967'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-8376291868776193169</id><published>2010-08-15T21:57:00.000-03:00</published><updated>2010-08-15T21:57:42.968-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Vídeos'/><title type='text'>É proibido proibir - IIIFIC 1968</title><content type='html'>&lt;object height="385" width="480"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/mCM2MvnMt3c?fs=1&amp;amp;hl=en_US"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/mCM2MvnMt3c?fs=1&amp;amp;hl=en_US" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" 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proibir - IIIFIC 1968'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-8026652837694502600</id><published>2010-08-08T21:22:00.001-03:00</published><updated>2010-08-10T19:03:35.253-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='016. Atacando o intocável'/><title type='text'>16. Atacando o intocável</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Eles dirigiram na noite, de forma aparentemente casual mas na verdade  cuidadosa, um fusca seguido por uma combi; um total de seis homens  armados. Chamavam-se por nomes de guerra. Antonio, agora chamado de  Paulinho, havia deixado sua casa depois da meia-noite. Ele disse a Maria  que estava saindo para uma ação. Levava consigo um revolver 38.&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  O Gordo, como seu nome de guerra indica, era um jovem corpulento e tão  engraçado, de bem e positivo quanto seu volumoso corpo. Ele dirigia o  fusca com outro homem ao seu lado. O Gordo havia desertado o exército  para se unir à VPR. Paulinho, com três outros homens, estava na combi  dirigida por Luis, um moço magro e miúdo, de modos simples; Paulinho  gostava dele porque ele não se dava ares e estava sempre pronto a  ajudar. Laercio era um jovem de média estatura e robusto, de pele clara e  cabelos loiros. Extrovertido e inteligente, ele era um bom líder, pois  seu raciocínios era rápidos quanto sua mente era decidida. Um quarto  homem os acompanhava, Paulinho não o conhecia e não era aquele o momento  para começar uma conversa. Todos estavam em seus vinte anos, cheios de  ardor revolucionário mas também prudentes e firmes. Haviam trabalhado  por semanas a fio em seu plano.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  O hospital militar de Cambuci estava localizado no centro da cidade de  São Paulo, o Ipiranga, e espalhado numa área grande quanto um inteiro  quarteirão. Cada um dos homens, separadamente, o havia visitado diversas  vezes. Eles conheciam cada pedaço do local. Sendo aberto ao público  durante o dia, as pessoas podiam entrar e andar por aí. Eles alcançar o  portão de trás, onde uma sentinela guardava a entrada.&lt;br /&gt;.... &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-8026652837694502600?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/8026652837694502600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=8026652837694502600' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/8026652837694502600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/8026652837694502600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/16-atacando-o-intocavel_08.html' title='16. Atacando o intocável'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-830623668622349387</id><published>2010-08-08T21:20:00.006-03:00</published><updated>2010-08-10T19:04:38.692-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='016. Atacando o intocável'/><title type='text'>16. Atacando o intocável</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eles dirigiram na noite, de forma aparentemente casual mas na verdade cuidadosa, um fusca seguido por uma combi; um total de seis homens armados. Chamavam-se por nomes de guerra. Antonio, agora chamado de Paulinho, havia deixado sua casa depois da meia-noite. Ele disse a Maria que estava saindo para uma ação. Levava consigo um revolver 38.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O Gordo, como seu nome de guerra indica, era um jovem corpulento e tão engraçado, de bem e positivo quanto seu volumoso corpo. Ele dirigia o fusca com outro homem ao seu lado. O Gordo havia desertado o exército para se unir à VPR. Paulinho, com três outros homens, estava na combi dirigida por Luis, um moço magro e miúdo, de modos simples; Paulinho gostava dele porque ele não se dava ares e estava sempre pronto a ajudar. Laercio era um jovem de média estatura e robusto, de pele clara e cabelos loiros. Extrovertido e inteligente, ele era um bom líder, pois seu raciocínios era rápidos quanto sua mente era decidida. Um quarto homem os acompanhava, Paulinho não o conhecia e não era aquele o momento para começar uma conversa. Todos estavam em seus vinte anos, cheios de ardor revolucionário mas também prudentes e firmes. Haviam trabalhado por semanas a fio em seu plano.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; O hospital militar de Cambuci estava localizado no centro da cidade de São Paulo, o Ipiranga, e espalhado numa área grande quanto um inteiro quarteirão. Cada um dos homens, separadamente, o havia visitado diversas vezes. Eles conheciam cada pedaço do local. Sendo aberto ao público durante o dia, as pessoas podiam entrar e andar por aí. Eles alcançar o portão de trás, onde uma sentinela guardava a entrada.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Diminuindo a velocidade, estacionaram numa rua estreita e escura. Os motoristas ficaram nos carros enquanto os quatro homens sairam e rápida mas silenciosamente aproximaram-se do portão do hospital. Escondidos atrás de uma esquina, eles observaram a sentinela que marchava para cima e para baixo segurando seu FAL, uma nova arma automática.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Quando o guarda deu-lhes as costas, Luis disse: “Agarre-o, Paulinho.”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Surpreso com o pedido assim como com sua reação imediata, Paulinho instintivamente respondeu: “Não, não posso.” E acrescentou: “Sério, posso ficar de olho e ajudar, mas…”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Eles não estavam lá para machucar ninguém, idealmente os soldados não representavam o inimigo, apesar deles poderem, naturalmente, se tornar tais. No entanto, o necessário confronto físico bateu de frente com o jeito de Paulinho, que sentiu a ação como desajeitada e fora de lugar em sua personalidade. Recusou-se, e, na verdade, nenhum deles estava acostumado a fazer essas coisas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mas algum tipo de batismo havia de acontecer. Luis olhou para Paulinho e depois para o Laercio, o qual disse, “Tudo bem, eu faço.” E, quando a sentinela estava ao alcance da mão, ele pulou para cima do soldado, logo ajudado pelos outros. Cobriram a boca do guarda com uma mão e o arrastaram embora, repetindo em voz baixa em seu ouvido: “Não vamos te machucar, não vamos te machucar. Só fique quieto.” O amarraram e amordaçaram, pegaram sua arma e o deixaram em meio ao mato do terreno baldio do outro lado da rua. &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Da esquina da rua estreita os motoristas adiantaram-se furtivamente, pegaram sua carga de homens e atravessaram o limiar do quartel hospitalar. Atravessando o grande quintal, alcançaram o poste do telefone; o quarto homem saiu da combi e subiu a haste de pau. Logo as linhas de comunicação estavam cortadas.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Ninguém estava à vista. Todos os soldados e seu sargento dormiam. Sobrava somente o outro guarda, o que protegia a entrada da frente do hospital.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Estacionaram os carros perto dela e, do fusca, desceu o Gordo vestido em sua uniforme de sargento. Do nada, ele apareceu à sentinela e caminhando a grandes passos em sua direção, rugiu, “O que diabo foram aqueles tiros, soldado?”&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Era um bluff e o Gordo um excelente ator. De pé, costas retas, queixo para cima, pertas abertas e punhos nos quadris, o sargento olhava severamente para o guarda. O soldado congelou seu passo e fitou-o, sem voz, segurando firmemente seu FAL contra o peito.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Me dá aquela arma, soldado. Me dá aquela arma, AGORA!” o sargento comandou, como se fosse o próprio Deus.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Mansamente, a sentinela obedeceu, apesar de não ter atirado bala alguma e de não haver tido um único som na noite tranquila.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Enquanto isso, camaradas dos seis homens, espalhados por toda a cidade, mantinham as linhas da polícia ocupadas chamando de diferentes áreas e denunciando todo tipo de acidentes imaginários. Poucas chamadas foram de fato atendidas, tamanha era a desorganização da sistema policial.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Deixando a sentinela livre e desarmada no portão da frente, os militantes moveram-se na direção do dormitório dos soldados. Abriram a porta principal e penetraram no edífício. Identificando o quarto do sargento num lado do corredor, eles suavemente caminharam na direção oposta, mirando para o quarto coletivo dos soldados.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Entrando furtivamente, fecharam a porta sem fazer barulho, e cada homem assumiu uma posição estratégica. Então, repentinamente, as luzes foram acesas e os soldados acordados para ver duas FALs e quatro revolveres apontados contra eles. Os seis homens ordenaram aos sonolentos soldados para passar-lhes suas armas. Pasmos, os jovens pegaram as armas de debaixo das camas e esticando os braços as entregaram aos revolucionários. Mais sete FALs pertenciam agora à Vanguarda Popular Revolucionária.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os militantes deixaram os confusos soldados tão ligeiros quanto rapidamente os haviam acordado. O grupo partiu do território militar sem ter atirado uma bala ou ferido ninguém. Era 22 de Junho de 1968.&lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;br /&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os noticiários não reportaram imediatamente a incursão e o roubo das armas. O choque das autoridades foi enorme, houve muita agitação e ultraje pois era inconcebível que o intocável, quase sagrado, exército pudesse ser atacado. Ninguém havia jamais feito algo parecido antes. Até os mais brutais ou desesperados dos bandidos não ousavam irromper num santuário militar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-830623668622349387?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/830623668622349387/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=830623668622349387' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/830623668622349387'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/830623668622349387'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/16-atacando-o-intocavel.html' title='16. Atacando o intocável'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3476338826820898500</id><published>2010-08-01T20:46:00.002-03:00</published><updated>2012-01-11T02:06:15.561-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='000. Prelúdio'/><title type='text'>0. Prelúdio</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Agora você tem uma intuição repetina,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Você está sozinho no mundo!&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Você está só com pensamentos e intuições,&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;&lt;i&gt;Todos coloridos e variados!&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: right;"&gt;&lt;span style="font-size: x-small;"&gt;Havin’ a hunch – Seussical&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SvyvAXsIO3I/AAAAAAAAAi4/Ro8WzalIL2Y/s1600-h/Adriana7anos.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SvyvAXsIO3I/AAAAAAAAAi4/Ro8WzalIL2Y/s1600-h/Adriana7anos.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SvyvAXsIO3I/AAAAAAAAAi4/Ro8WzalIL2Y/s1600-h/Adriana7anos.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SvyvAXsIO3I/AAAAAAAAAi4/Ro8WzalIL2Y/s200/Adriana7anos.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Esta  é a história de uma família cuja vida tropeçou na ditadura militar. Os  anos sessenta foram um época importante no mundo ocidental, propiciando a  necessária renovação de idéias, hábitos, pontos de vista, e revisão das  estruturas sociais e de gênero. Foi um tempo de transformação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; Estudantes, professores,jornalistas, trabalhadores e, no geral, os  cidadãos mais ilustres e conscientes eram seus principais  protagonistas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Este  mesmo anseio surgiu na América do Sul. Mas enquanto as sociedades dos  países desenvolvidos se regeneravam, na América Latina os governos  locais enxergaram qualquer movimento social como uma ameaça. Muitos  interesses intocáveis, antigos e internacionais, estavam em jogo.  Portanto, o governo brasileiro brutalmente suprimiu toda ação popular.  Os anos sessenta na América do Sul foram um tempo de repressão violenta e  impiedosa, no nome da “ordem” e do “progresso”, que significavam  “capital”. Qualquer desenvolvimento que não fosse monetário foi cortado.  E somente uns poucos se avantajaram desse crescimento, naturalmente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Duas  pessoas se encontram no começo dos anos sessenta, cada uma delas  ingênua e simples da sua maneira. Eram meu pai Antonio e minha mãe  Maria.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Antonio  era um pensador e confiava em sua compreensão lógica das coisas, o que  nem sempre ele conseguia alcançar. Ele vinha de uma família de bens,  dona de terras e propriedades. Seus genes estabeleceram sua postura  ativa e patriota como cidadão. Ele caminhava como um homem livre em sua  cidade natal e nunca sentiu-se ameaçado ou submetido a forças externas.  Finalmente, seus pensamentos estavam voltados para a vida e as pessoas e  baseavam-se na observação. Subsequentemente, ele deparou-se com o  gritante dilema brasileiro da injustiça social.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Maria  vinha de uma família de imigrantes do sul da Itália. Ela recebeu uma  severa educação baseada em papeis de gênero. Nunca andou pela cidade  sozinha. Seu mundo era a casa. Era uma mulher sensata com os pés no chão  e um coração de garota que aspirava por um destino diferente.  Desafiando a tradição de família, um dia ela simplesmente decidiu ir  trabalhar fora de casa e fez suas próprias escolhas, que a levaram muito  mais longe do que ela poderia imaginar. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3476338826820898500?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3476338826820898500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3476338826820898500' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3476338826820898500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3476338826820898500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/0-preludio.html' title='0. Prelúdio'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SvyvAXsIO3I/AAAAAAAAAi4/Ro8WzalIL2Y/s72-c/Adriana7anos.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-4431783017581932355</id><published>2010-08-01T20:44:00.002-03:00</published><updated>2012-01-11T02:09:35.171-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='001. Entre ela e as estrelas'/><title type='text'>1. Entre ela e as estrelas</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuNlA-x_6MI/AAAAAAAAAco/6OsWaJMerhM/s1600-h/Nonna+e+figlios+em+51+a.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt; &lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuNksiCA8cI/AAAAAAAAAcg/pceV5x4GZRU/s1600-h/M%C3%A3e+em+vermelho+b.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuNksiCA8cI/AAAAAAAAAcg/pceV5x4GZRU/s320/M%C3%A3e+em+vermelho+b.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;Um passo além da soleira e ela  estava fora de casa, no pequeno pátio de entrada, espaço para um carro  que eles não possuíam. Ela levantou a cabeça e lançou o olhar para  longe, mirando as estrelas no profundo azul do céu. Trazia no peito um  questionamento mudo e indistinto. Algo como uma leve tendência, um sutil  anseio, uma busca indizível. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;Um aroma subia da alma calada, mas  presente. E do espaço distante um sussurrar suave devia estar se  aproximando, pois, sempre que dava, a garota voltava, noite após noite,  para olhar para as estrelas. Elas fortaleciam o imperceptível chamado  interior e escoravam suas interrogações sobre a vida. Uma magia  invisível piroetava no ar, mesmo que, a olhos estranhos, aquelas  parecessem noites comuns e banais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;A quietude ao redor a amparava  após o dia de trabalho doméstico. O silêncio da noite cobria com um  manto sereno as vozes e obrigações ouvidas e cumpridas. Aquele tempo de  solidão era refrescante. Aos 14 anos, o mundo inteiro parece abrir as  portas à jovem alma que se debruça sobre a vida. No panorama interior,  novas e estranhas sensações e anseios, como repentinas correntes  elétricas, surpreendem e agitam o coração. O instinto pressente as  infinitas possibilidades que a vida traz. E, ainda assim, apesar de não  estarmos cientes, em meio ao caleidoscópio da existência um caminho está  obscuramente se acercando. Do longínquo céu escuro ela devia sentir,  como um animal fareja a água a quilômetros de distância, que seu futuro a  chamava, um inimaginável e imprevisível destino.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;- Maria! O que você está fazendo aí fora? Vem pra dentro!&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;A voz clara e forte de sua mãe  ecoava na noite e não dava opção. Sobressaltada, Maria voltou  rapidamente para dentro. Devia ter se esquecido de alguma coisa. A  louça, com certeza, já estava lavada e guardada. Talvez o fogão não  tenha ficado alvo e limpo como sua mãe gostava. Precisava prestar mais  atenção. Ela era, às vezes, uma garota distraída, ou, simplesmente,  interessada em coisas diferentes da rotina doméstica. Sua mãe não tinha  paciência, seu mundo eram a casa, os filhos e o marido. Exigia que tudo  fosse feito sem pestanejar. Maria, porém, diferentemente de todos na  família, tinha suas estrelas à noite com as quais, na misteriosa troca  de olhares e emoções, foi lentamente se tornando a mulher que um dia  seria minha mãe.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: 130%;"&gt;&lt;span style="font-family: trebuchet ms; font-size: small;"&gt;.... &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-4431783017581932355?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/4431783017581932355/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=4431783017581932355' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4431783017581932355'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4431783017581932355'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/1-entre-ela-e-as-estrelas.html' title='1. Entre ela e as estrelas'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuNksiCA8cI/AAAAAAAAAcg/pceV5x4GZRU/s72-c/M%C3%A3e+em+vermelho+b.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-2365337662076209319</id><published>2010-08-01T20:43:00.002-03:00</published><updated>2010-08-01T20:43:39.745-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='002. Seu coração ganhou asas'/><title type='text'>2. Seu coração ganhou asas</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuNmPE7B64I/AAAAAAAAAc4/kWeXlkuU1Xk/s1600-h/M%C3%A3e+bp+a.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuNmPE7B64I/AAAAAAAAAc4/kWeXlkuU1Xk/s320/M%C3%A3e+bp+a.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Com o passar dos anos, os estreitos limites da vida caseira pareciam estrangular&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; a muda necessidade de liberdade de Maria&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;.  Aos 20 anos, tudo o que ela conhecia eram as atividades domésticas, que  ela realizava pronta e cuidadosamente. Mas nas sombras de sua mente  pulsava o desejo não falado de cruzar a soleira da porta e correr  liberada pelas ruas, em busca de uma vida diferente.&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Nenhuma  conversa sobre isso foi jamais tida em casa, porém. Não havia lugar  para esse tipo de idéias em sua família, já que às mulheres eram  destinadas a ficarem em casa e a gostar disso. A única previsível  mudança seria trocar a casa do pai por aquela do marido. Alguns  pretendentes haviam se apresentados. Eram todos bons exemplos da bem  sucedida colônia itailana local. Nenhum deles despertou seu interesse.  Além do mais, ela temia que um marido italiano pudesse fazê-la voltar  para a Itália.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Seu  irmão mais velho, Carlo, um jovem de mentalidade simples, sem curriculu  escolar, mas bonito e vivaz, namorava uma bela garota brasileira  chamada Iva. Eles formavam um alegre casal. Nos finais de semana, quando  atendiam às sessões de matiné no cinema, costumavam convidar Maria para  ir junto com eles. Foi quando ela conheceu Adriana, a irmão de Iva, uma  jovem mulher independente que trabalhava fora de casa. Maria ficou  impressionada por sua brilhante natureza. Nuna havia ela conhecido uma  mulher mais dinâmica e cheia de iniciativa. Maria não cultivava em sua  mente nenhuma idéia rebelde e não aspirava a mudar sua personalidade.  Entretanto, o entusiamo e a abertura mental que ela sentia em Adriana a  fascinavam. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;....&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-2365337662076209319?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/2365337662076209319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=2365337662076209319' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2365337662076209319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2365337662076209319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/2-seu-coracao-ganhou-asas.html' title='2. Seu coração ganhou asas'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuNmPE7B64I/AAAAAAAAAc4/kWeXlkuU1Xk/s72-c/M%C3%A3e+bp+a.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-2821314470780019199</id><published>2010-08-01T20:42:00.002-03:00</published><updated>2010-08-01T20:42:23.916-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='003. Mirando longe'/><title type='text'>3. Mirando longe</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuRMZ4QTNWI/AAAAAAAAAeg/S9jf0r8_vTo/s1600-h/Pai+vestido+de+sheique.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuRMZ4QTNWI/AAAAAAAAAeg/S9jf0r8_vTo/s320/Pai+vestido+de+sheique.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Ele  era muito amado. Sua mãe o criou como um príncipe e porque era seu  primeiro filho, nascido de um nobre e rico homem, Antonio obteve tudo o  que ela queria para ele. As coisas começaram da melhor maneira possível,  a promessa de uma vida maravilhosa teceu os anos da família junto. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;O  pai de Antonio morreu logo após ele completar quarto anos. A  prosperidade acumulada ao longo de uma vida afortunada e ativa já havia  sido equamente e sabiamente dividida entre os filhos do primeiro  casamento e a nova família. Antonio e sua mãe podiam levar adiante uma  vida confortável, aproveitando a paz do interior. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Araçatuba,  localizada no coração do Estado de São Paulo, era uma charmosa cidade  de fazendeiros. Calçadas asseadas contornavam as cercas baixas de  madeira branca, única separação entre o privado das casas e jardins e o  público das ruas. Antigas árvores e fontes borbulhantes nas muitas  praças floridas ofereciam um abrigo fresco do calor intenso do verão.  Estradas de terra, carruagens passando e cavaleiros fazendo seus  negócios no centro completavam o cenário. A vida social era simples. Os  antigos preconceitos que separam ricos e pobres, brancos e negros  coexistiam no inverossímil mas harmonioso estilo de vida brasileiro. As  relações sociais eram seladas por vínculos paternalistas que ao manter a  injustiça também suavizam a inclemência da desigualdade. O paternalismo  cria a peculiar ilusão de&amp;nbsp; a sociedade ser uma grande família na qual,  apesar do sofrimento injusto, cada um encontra seu próprio nicho  aconchegante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuRMlqwgMaI/AAAAAAAAAeo/dpA7NCo_NaE/s1600-h/Vov%C3%B4+jovem.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuRMlqwgMaI/AAAAAAAAAeo/dpA7NCo_NaE/s200/Vov%C3%B4+jovem.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Sua  mãe se chamava Maria de Lourdes. Era uma mulher ousada e ambiciosa. Pai  e irmãos haviam sido voluntários lutando pela democracia em 1932,  quando o Estado de São Paulo se rebelou contra um governo federal  ambíguo que persistia em adiar suas promessas de uma nova Constituição.  Por ser mulher, Lourdes não pôde atender às armas e teve de aceitar  ajudar como enfermeira. Um alto obelisco esculpido erige-se hoje num  ponto histórico de São Paulo, dedicado aos “Heróis de 32”. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-2821314470780019199?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/2821314470780019199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=2821314470780019199' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2821314470780019199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2821314470780019199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/3-mirando-longe.html' title='3. Mirando longe'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SuRMZ4QTNWI/AAAAAAAAAeg/S9jf0r8_vTo/s72-c/Pai+vestido+de+sheique.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3110282917265778834</id><published>2010-08-01T20:41:00.002-03:00</published><updated>2010-08-01T20:41:34.815-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='004. O sorriso'/><title type='text'>4. O sorriso</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;“Lá  vêem as duas sirigaitas feiosas disputando para me atender.” Antonio  pensou consigo mesmo ao entrar no banco. Então, olhando atrás delas,  para aquela sentada à sua mesa prestando atenção em alguns papeis, ele  acrescentou: “A bonitinha lá não me olha."&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Desapontado, ele resignou-se a falar com as duas funcionárias. De repente, de longe, Maria levantou os olhos, fitou-o e sorriu.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;“Que  sorriso maravilhoso!” um arrepio de prazer percorreu seu corpo inteiro.  Ele rapidamente descobriu o nome dela. Do balcão, ele pegou um pedaço  de papel e rabiscou uma nota, pedindo para as colegas entregar a ela. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;A  mensagem de Antonio citava uma famosa canção dos tempos. Lia-se, “Maria  – teu nome principia na alma da minha mãe…” Maria enruboresceu. Era uma  doce e embaraçosa surpresa. Ela tirou os olhos do bilhete, mirou-o de  novo e, não sabendo o que fazer, retornou ao seu trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Aquela  noite, Antonio estava fora do edifício esperando por ela. Como ele  imaginava, uma garota tão bonita já tinha um pretendente. Ele seguiu os  dois até o ponto do ônibus. Após acompanhar a moça até a entrada do  mesmo, o jovem foi embora. Esta era a rotina diária deles, como Antonio  descobriu. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Sua  chance de encontrar Maria consistia em tomar aquele ônibus. Portanto,  uma tarde, ele correu para dentro do veículo assim que o outro homem  partiu. Maria já tinha notado os olhos interessados de Antonio, mas era  reticente. Ela havia recebido uma educação severa em casa e não  permitiria que um estranho chegasse perto dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Respeitando  sua vontade, Antonio sorriu-lhe e não fez nada. Mas permaneceu na sua  pista. De vez em quando, Maria o viu nos cantos de seu bairro, e até  muito perto de sua casa.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Apreensiva,  ela trocou idéias com Leonardo, sue irmão mais jovem e confidente. Mais  tarde, a conversa alconçou os pais. Totò, seu pai, estava desconfiado,&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;“Que  tipo de homem é esse? Paquerando com minha filha durante o horário de  trabalho? Um homem de verdade estaria ocupado trabalhando seu numa hora  dessas, não correndo atrás de garotas!”&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Isso  não fazia sentido para a cabeça dele e deu-lhe mais uma razão para  ficar com o pé atrás. Além disso, Antonio era brasileiro. Totò  acreditava que brasileiros não era tão sérios e trabalhadores como os  italianos. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;Finalmente, Leonardo decidiu tomar uma atitude. O dia em que ele encontrou Antonio no ponto de ônibus próximo, ele o enfrentou, &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;“Oi! Você é o cara que está atrás da minha irmã, não é?” O jovem de 19 anos avançou corajosamente na direção dele. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3110282917265778834?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3110282917265778834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3110282917265778834' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3110282917265778834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3110282917265778834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/4-o-sorriso.html' title='4. O sorriso'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-5726194428247346027</id><published>2010-08-01T20:40:00.003-03:00</published><updated>2011-01-01T22:03:46.997-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='005. Sim aceito'/><title type='text'>5. Sim, aceito</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Maria  gostava de surpresas, e Antonio decidiu dar-lhe uma grande. Ela  combinava em si tudo o que ele gostaria de encontrar em uma mulher. Ele  desejava ter uma família própria. Estava com 26 anos e namorava firme  sua “italianinha” já há um ano. Ela era a melhor companheira de vida que  ele poderia ter, tão generosa e tolerante quanto sua mãe era dura e não  exatamente fácil de se lidar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Uma  manhã no início de Março, ele pegou as duas alianças e se direcionou  para a casa dela. Batendo na porta da frente, sentia-se energizado,  ansioso por ver a expressão de Maria frente a surpresa. Contudo, ele  sabia que havia de passar por Totò primeiro, era uma questão de  respeito. E, francamente, não esperava que o pai dela festejasse a  notícia. Os pais de Maria eram muito ligados a ela. Apesar disso, estava  na hora de dar aquele passo. Ele tinha acabado se ser admitido numa  nova casa farmacêutica e iria mudar para sua cidade natal, Araçatuba,  que Maria adorava.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Pasqua  abriu a porta. Educada e convivial, como normalmente era com os  hóspedes, ela prontamente fez Antonio entrar. Os cabelos cinza, curtos e  enrolados, um pouco despenteados e seu corpo forte lhe davam um aspecto  bizarro. Ela era a típica italianas do sul da Itália, aquelas que  frequentemente se vêem usando um avental e com farinha até os cotovelos.  Parecia um pouco desengonçada, mas também cuidadosa e limpa. Antonio  gostava dela, sobretudo porque era uma grande cozinheira. Enquanto Maria  se aproximava, ele virou-se para Pasqua comunicando-lhe que queria  converser com seu marido. Intrigada, Pasqua foi chamar Totò e os quatro  ficaram de pé na sala, onde finalmente se sentaram um tanto sem graça  nos sofás e ficaram olhando um para o outro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-5726194428247346027?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/5726194428247346027/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=5726194428247346027' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5726194428247346027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5726194428247346027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/5-sim-aceito.html' title='5. Sim, aceito'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3036214601162443029</id><published>2010-08-01T20:39:00.000-03:00</published><updated>2010-08-01T20:39:32.103-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='006. Nascida em tempos de mudança'/><title type='text'>6. Nascida em tempos de mudança</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Maria,  empurra! Vamos, Maria, empurra de novo!” A carne em volta de suas unhas  estava ficando azulada. Fazendo uso de toda sua força, Maria  esforçava-se para dar à luz seu bebê. Muitas horas haviam se passado  desde que ela tinha deitado sobre aquela cama. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Antonio  havia passado a noite ao lado dela. Espantado perante o processo de  parto, ele não sabia o que fazer e se sentiu frustrado diante do  sofrimento dela. Dona Lourdes, sua mãe, dava orientações. Ela queria  ajudar, mas se Maria pudesse ter opção, não iria escolher sua sogra para  dar-lhe suporte naquele momento crítico. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Após  o começo entusiasmado em sua nova cidade do interior, Maria deu-se  conta de que a realidade não era como esperava. O calor de Araçatuba era  insuportável, sobretudo para uma mulher grávida, e a mãe de Antonio  revelou-se se intrometida. Dona Lourdes tratava seu filho com  cerimônias, esperando de Maria o mesmo. Assim, ela frequentemente se  inseria na relação deles comentando as respostas e os modos de Maria. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Quase  todos os dias Dona Lourdes passava pela casa deles, buscando receber  atenção, uma bela xícara de café e biscoitos. Ela gostava de ser mimada  tanto quanto de comer as delícias culinárias de Maria. Considerando seu  filho um homem importante, ela desaprovava se Maria o desagradasse por  qualquer motivo. Do lado dele, Antonio não procurava por reverências,  mas ele também tentava não se opor à mãe.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Maria  não gostava disso. Ela havia sido educada para aceitar o lugar  tradicional da mulher, que era a casa e a família, mas ela não era boba.  Acostumada a uma vida mais prática e com os pés no chão ela não podia  suportar todos aqueles rituais e o tempo gasto em torno de agradar quem  quer que fosse. Ela era uma mulher carinhosa, mas seu comportamento  amoroso não podia ser uma obrigação. Sobretudo, Maria reagia contra  alguém que se colocava como superior a ela. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3036214601162443029?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3036214601162443029/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3036214601162443029' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3036214601162443029'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3036214601162443029'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/6-nascida-em-tempos-de-mudanca.html' title='6. Nascida em tempos de mudança'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-4727965311813205753</id><published>2010-08-01T20:38:00.000-03:00</published><updated>2010-08-01T20:38:10.584-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='007. Uma família engajada'/><title type='text'>7. Uma família engajada</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/Sxvt10eAaCI/AAAAAAAAAmM/-Tm7lABdwng/s1600-h/AdrianaBebeFeliz.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/Sxvt10eAaCI/AAAAAAAAAmM/-Tm7lABdwng/s200/AdrianaBebeFeliz.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;A  vida era abençoada. Eu tinha pais amorosos e vivia numa ensolarada e  gostosa cidade do interior. Meus dois adultos de estimação eram jovens  demais para terem florescido em sua maturidade. Entretanto a juventude  lhes deu seus dons: autoconfiança e entusiasmo para ele, serenidade e  inocência para ela. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SxvueR9sFPI/AAAAAAAAAmk/VbeITgdT4T4/s1600-h/AdrianaExplorandoCaixinhaCostura.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SxvueR9sFPI/AAAAAAAAAmk/VbeITgdT4T4/s200/AdrianaExplorandoCaixinhaCostura.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Tendo  sido pobre a vida inteira, minha mãe ganhou finalmente sua primeira  boneca: eu. E devotou-se a desdobrar as alegrias da maternidade; ela  cuidava e embelezava. Comigo no carrinho, passeávamos até a avenida  comercial. La prestava atenção às recentes tendências na moda infantil  expostas nas boutiques. Na máquina de costura, ela as copiava. Sua vida  crescia entre ternas cores e combinações bonitas, enquanto sua  personalidade se aprofundava. A maternidade a fortaleceu. Criar e  alentar iriam ser a principal missão de sua vida, dar à luz filhos não é  suficiente. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Nenhum  descanso lhe foi reservado após meu nascimento. Eu estava com quarto  meses quando ela ganhou mais um bilhete vencedor e deu adeus ao seu  corpo de adolescente. A magra e pálida garota estava sendo substituída  por uma jovem mulher de 23 anos em sua segunda gravidez. A tradição de  sua família sustentava que a amamentação iria protegê-la. Afinal, minha  avó Pasqua engravidou a cada dois anos, após ter interrompido a  amamentação. Mas isso não funcionou para minha mãe. Ela estava  amamentando, não tinha menstruação e, mesmo assim, lá veio ele. Meu  irmão André estava a caminho. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Eu  me pergunto, não poderia ele ter esperado um pouco mais? Para quê toda  essa pressa? Me dê um tempo, mano. Não, ele se impôs numa corrida para  aterrizar neste planeta. Tudo bem, é verdade que eu também demonstrei  impaciência. Eu me enfiei quando minha mãe era ainda virgem, eles nem  tiveram uma completa relação que lá estava eu. Mas, bem, eu sou a  primeira. Uma vez aqui, eu sou a dona e comando. Ele não me pediu  licença por isso vamos deixar uma coisa bem clara: aqueles dois aí, a  mulher magnífica na qual barriga você está e o homem bonito do lado dela  são meus. Sacou, mano?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-4727965311813205753?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/4727965311813205753/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=4727965311813205753' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4727965311813205753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4727965311813205753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/7-uma-familia-engajada.html' title='7. Uma família engajada'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/Sxvt10eAaCI/AAAAAAAAAmM/-Tm7lABdwng/s72-c/AdrianaBebeFeliz.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-6210166573456930175</id><published>2010-08-01T20:37:00.000-03:00</published><updated>2010-08-01T20:37:22.549-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='008. André'/><title type='text'>8. André</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SyQSfhK7RsI/AAAAAAAAAnw/hsL8luqIkxg/s1600-h/AdrianaAnivers%C3%A1rio64-deP%C3%A9.JPG" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SyQSfhK7RsI/AAAAAAAAAnw/hsL8luqIkxg/s200/AdrianaAnivers%C3%A1rio64-deP%C3%A9.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;“Parabéns pra você, parabéns pra você, nesta data querida, muitas felicidades, muitos anos de vida! Viva Adriana!”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SyQSxKytf-I/AAAAAAAAAn4/E2j9N1iG1PY/s1600-h/AdrianaAnivers%C3%A1rio64-deP%C3%A92.JPG" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SyQSxKytf-I/AAAAAAAAAn4/E2j9N1iG1PY/s200/AdrianaAnivers%C3%A1rio64-deP%C3%A92.JPG" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Minha primeira festa de aniversário aconteceu numa bela tarde de final  de Novembro. De pé sobre uma cadeira, com olhos brilhantes, estavo na  frente de um grande bolo branco retangular com sua solitária vela,  simbolizando meu primeiro ano de vida, o mais desafiador e valente para  cada um de nós. Do alto da minha posição, usava o vestido que minha mãe  havia ternamente feito; um sorriso se abria sobre minhas bochechas  cobertas de chocolate. Fitava encantada a sala decorada, tão colorida  como as muitas nuanças da cor de pele das crianças convidadas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Minha mãe, que a gravidez havia modelado na forma de uma esfera, sorria  radiantemente enquanto batia as mãos com alegria. Ela parecia  exultante. As pessoas acompanhavam. Sua melhor amiga e família estavam  entre os hóspedes. Vovó Lourdes sorria com seus lábios finos, os olhos  escondidos por trás dos costumeiros óculos escuros. Ela parecia  surpresa. Nunca havia organizado uma festa para sua única filha. O  primeiro bolo de aniversário de minha tia Rachel foi feito pela sua nova  cunhada, quando ela fez 18 anos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-6210166573456930175?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/6210166573456930175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=6210166573456930175' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6210166573456930175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/6210166573456930175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/8-andre.html' title='8. André'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/SyQSfhK7RsI/AAAAAAAAAnw/hsL8luqIkxg/s72-c/AdrianaAnivers%C3%A1rio64-deP%C3%A9.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-4827748403275671246</id><published>2010-08-01T20:36:00.002-03:00</published><updated>2010-08-01T20:36:22.773-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='009. Avançando'/><title type='text'>9. Avançando</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  O nariz dele estava escorrendo. No dia seguinte após seu nascimento,  ainda no hospital, André dormia pacificamente em seu berço, mas algo  alertou meus pais. André parecia estar resfriado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “O negligenciaram.” Disse minha mãe, irritada. “Há poucos funcionários  por causa das festas do Ano Novo e eles o ignoraram.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Meu pai imediatamente chamou o primeiro médico disponível. O homem  observou o recém-nascido e passou alguns medicamentos. Preocupados, meus  pais deixaram o hospital.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Naquele dia, em casa, a vida não parecia muito diferente de antes. Mas  logo me dei conta de qual era minha nova situação. No meio da noite fui  acordada por um choro agudo. Sobressaltada, me levantei, segurando firme  as barras do berço. Com olhos escancardos analisei o quarto. Confusa e  assustada, procurei pela razão por que minha calma e gostosa noite tinha  sido interrompida. Abruptamente a luz foi acesa, e meus pais entraram  correndo no quarto. Dobraram-se sobre o berço ao lado do meu enquanto os  gritos estridentes continuavam mais altos do que nunca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Então é isso o que significa ter um irmão! O mistério está desvelado. Ele não é feito de ossos, mas de berros. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Meu esquema noturno mudou completamente. Não estava feliz, mas tive que  chegar à conclusão de que não havia nada que eu pudesse fazer para  restaurar o silêncio que eu tanto amava. Resignando-me, noite após  noite, eu simplesmente deitava de novo, fechava os olhos e voltava a  dormir, com ou sem luz e choro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;.... &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-4827748403275671246?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/4827748403275671246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=4827748403275671246' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4827748403275671246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/4827748403275671246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/9-avancando.html' title='9. Avançando'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-5396461913974569043</id><published>2010-08-01T20:33:00.000-03:00</published><updated>2010-08-01T20:33:00.698-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='011. Alexandre'/><title type='text'>11. Alexandre</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Em São Paulo,  ficamos na casa de meus avós, enquanto procurávamos um apartamento. A  residência era pequena; dormíamos os quatro no pequeno quarto dos  fundos, originariamente uma suite de empregada que havia sido  transformada em espaço para costura. Nonna Pasqua reclamava. Além de ter  gente demais em casa, nossa precária &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;situação financeira a incomodava. Não era um mistério que meu pai não fosse seu herói. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Por trás do sorriso e da boa educação ela discordava dele, mas não tinha nenhuma intenção de encarar um homem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;A  alma de meu pai andava esticada como num arco no difícil equilíbrio  entre a urgência de nutrir sua família e o desconfortável quesito que  pulsava dentro. Ele buscava encontrar um trabalho que lhe servisse. Não  tendo um específico treinamento profissional, ele levou adiante a  tentativa de ser um vendedor. Idealmente qualquer produto seria  aceitável. Ele persistiu no campo farmacêutico. O problema era que ele  precisava de orientações. Como uma estrela solitária desgarrada ele  tinha consciência de sua própria luz mas faltava-lhe a bússola para  alcançar seus pares e o almejado brilhante futuro em algum lugar na  vasta e escura galaxia. Sua atitude reflexiva perante a vida não  ajudava. Ele gostava de ter um preciso entendimento da situação antes de  agir e também apreciava argumentos inteligentes. Nada a ver com as  mentes simples que ele encontrou no ambiente de vendas. A nonna, para  quem não há coisas como vocação ou consciência, não tinha condições de  entender meu pai e a pedra no sapato dele, pois ele queria ser um bom  provedor. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="border: medium none; clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/S1iD0E9VAsI/AAAAAAAAA_Y/FGtpKR4DNa0/s1600-h/UNEIncendiada.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/S1iD0E9VAsI/AAAAAAAAA_Y/FGtpKR4DNa0/s200/UNEIncendiada.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Enquanto  isso, a cidade vivia seus tempos conturbados. Na metropolis  enxergáva-se os problemas sociais e políticos com sob uma lente de  aumento. No mesmo mês em que nos mudamos para São Paulo, anônimos  partidários do regime militar botaram fogo na sede da União Nacional dos  Estudantes e três dias depois o governo militar aboliu o mandato do  inteiro conselho diretor da Universidade de Brasília. Uma nova lei  proibiu a existência a UNE assim como de todas as Uniões Estaduais de  Estudantes. Greves e agitações apareciam nos jornais quase todas as  semanas enquanto alguns dos reitores de universidades foram forçados a  sair. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;....&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-5396461913974569043?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/5396461913974569043/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=5396461913974569043' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5396461913974569043'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/5396461913974569043'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/11-alexandre.html' title='11. Alexandre'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/S1iD0E9VAsI/AAAAAAAAA_Y/FGtpKR4DNa0/s72-c/UNEIncendiada.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-587177346179935090</id><published>2010-08-01T20:31:00.002-03:00</published><updated>2010-08-01T20:31:59.387-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='012. Uma oportunidade'/><title type='text'>12. Uma oportunidade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Toninho, precisamos conversar,“ sussurrou Nelson virando a cabeça de lado para que ninguém mais pudesse ouvir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Oi cara, como você está?” Antonio não levou a sério o tom de voz de  seu amigo e lhe deu as boas vindas convidando-o a entrar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;“Você soube das notícias?“&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Antonio fitou-o por um instante confuso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;“Os  generais decretaram mais um Ato Institucional, o N. 3. Agora, os  cidadãos não podem mais eleger governadores. O regime escolhe os  governadores e estes decidem que serão os prefeitos de suas cidades.”  Continuou Nelson e sentou-se confortavelmente no sofá esticando ambos os  braços sobre o encosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Nelson e  Antonio conheciam-se desde a infância em Araçatuba. No passado, muitas  horas foram gastas conversando sobre a realidade do país, o socialismo e  as perspectivas políticas para o Brasil. Agora Nelson estudava  Filosofia na USP, enquanto Antonio tinha uma família para cuidar.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;“Quando aconteceu?” Perguntou Antonio perplexo, sentando-se na poltrona na frente dele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;“Dia 5 de Fevereiro. Onde você está, cara? Você não acompanha as notícias?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;“Estou  ocupado com a minha família e tentando ganhar dinheiro. E além do mais,  dia 5 de Fevereiro era o aniversário de Maria.“ Antonio exclamou fazendo  uma careta. “Você acha que é fácil?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;“Você tem razão. Além do mais, como sempre, esse tipo de notícia nunca recebe muita relevância.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;“Tipo que  aparece num canto da quinta página do jornal…” Antonio contraiu-se  completando a frase de Nelson. Preocupava-o o movimento político  camuflado mas contínuo na direção de uma ditadura total.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-587177346179935090?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/587177346179935090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=587177346179935090' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/587177346179935090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/587177346179935090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/12-uma-oportunidade.html' title='12. Uma oportunidade'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-2142899007044591724</id><published>2010-08-01T20:30:00.002-03:00</published><updated>2010-08-01T20:30:51.493-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='013. O antídoto'/><title type='text'>13. O antídoto</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Antonio e Maria permaneceram à mesa do  almoço, enquanto as crianças brincavam no chão. Neneta, a irmã de Maria  havia saído apressada, mais cedo do necessário para poder fumar um  cigarro. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sinto muito pela Neneta, mas  realmente não suporto o cheiro de cigarro, sobretudo depois que parei de  fumar. Gosto de ar puro.” Antonio disse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Eu sei.” Maria respondeu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Espaços fechados com ar parado me fazem sentir mal. O ar precisa circular. É também mais saudável.” Ele continuou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Maria fitou as crianças.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A propósito, o mesmo conceito aplica-se às idéias,” Antonio disse. “Elas devem circular para fazer seu trabalho.”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O que você quer dizer?” Maria levantou seus olhos para ele. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Quero dizer que as idéas não podem ficar fechadas em livros. Nelson  ligou esta manhã. Ele está vindo para cá com aquela professora que ele  conhece. Já te falei da Regina, não é?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A que o Nelson queria que você conhecesse?” Maria perguntou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sim. Ela e seu marido criaram grupos de discussão em sua casa.” O entusiasmo passou pelo seu rosto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Sobre política?” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Sim, com pequenos grupos de pessoas. É como convidar amigos em casa.  Supostamente temos ainda, neste país, o direito de bater papo entre  amigos. Não está proibido.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Você tem razão. Não há do que se preocupar. Quando o Nelson vai chegar?” Maria perguntou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “No final da tarde. Você vai estar em casa?”&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  “Acho que não. Marquei com a Nina para um lanche com as crianças. Ela  está sozinha hoje, o Carlo foi para a banca. Talvez os encontre quando  voltar, quem sabe.” &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;....&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-2142899007044591724?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/2142899007044591724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=2142899007044591724' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2142899007044591724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2142899007044591724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/13-o-antidoto.html' title='13. O antídoto'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-3150821694727977462</id><published>2010-08-01T20:29:00.002-03:00</published><updated>2010-08-01T20:29:56.380-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='014. Uma casa parecida com um porto'/><title type='text'>14. Uma casa parecida com um porto</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Uma longa fileira de fraldas brancas de pano lavadas a mão balançava  suavemente no varal de nossa janela. Minha incansável mãe lavava,  cuidava e amamentava. A cadeia de reprodução havia sido interrompida com  métodos radicais; a ligadura das trompas havia sido realizada com  sucesso em Araçatuba seis meses depois de o Alexandre nascer.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Minha mãe estava feliz e orgulhosa de suas três crianças; ela sorria à  inveja do irmão Carlo que desejava um menino e tinha duas meninas. Meu  pai trabalhava firme numa companhia farmacêutica, ainda não sentindo que  tinha encontrado seu lugar. Em três anos de casamento tudo havia  mudado. De jovem sem compromissos a não ser seus próprios pensamentos,  ele havia se tornado no pai de três crianças mergulhado em novas  responsabilidades. Entretanto, ele e mamãe viviam serenamente; brigas e  discussões não faziam parte do menu familiar. &lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Meu novo irmão não suscitou meu ciúmes como André havia feito. Na época  em que Alexandre entrou em nossas vidas, eu já tinha perdido minha  primazia e acima de tudo eu estava ingressando no meu terceiro ano de  vida, um inteiro fresco horizonte estava em minha frente agora, com seu  novo conjunto de atividades e mais independência do que nunca. Não podia  desejar algo melhor.&lt;/span&gt;&lt;br style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;" /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Alexandre cresceu fofo e forte com duas bochechonas que chamavam para  beijos. Diferentemente de André que tem as feições da família de minha  mãe mas o tom de pele pálido dos Nogueiras, Alexandre era uma reprodução  em miniatura de nosso pai mas com a tez rosada de mamãe. Sorridente e  fácil de se lidar, desde o começo ele evocava ternura.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size: small;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;.... &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-3150821694727977462?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/3150821694727977462/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=3150821694727977462' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3150821694727977462'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/3150821694727977462'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/14-uma-casa-parecida-com-um-porto.html' title='14. Uma casa parecida com um porto'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-2194053291082167375</id><published>2010-08-01T20:28:00.004-03:00</published><updated>2010-08-08T21:46:19.839-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='015. Radicalização'/><title type='text'>15. Radicalização</title><content type='html'>&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif; text-align: center;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Não podemos ir adiante desse jeito. Não vamos chegar nunca à mudança que queremos.” disse Nelson.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;  Aquela era uma de suas visitas inesperadas. De vez em quando, Nelson  aparecia para conversar com Antonio, ora para trazer novidades de seus  contatos ou para discutir a situação política do país. Ele já havia  levantado esse assunto ates, mas hoje ele tinha um tom determinado e  tinha motivos para isso: uma nova organização havia recentemente  surgido.&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “A America Latina está tocada pelas chamas da  dissidência armada, estão se movendo na direção de uma revolução. E aqui  não vai ser diferente. Não há sinais de que o regime militar vai  transferir o poder para um governo democrático. Muito pelo contrário, eles  governam pelo braço da polícia; a repressão está apertando.” Nelson  continuou em tom baixo e circunspecto como se alguém pudesse estar  ouvindo.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Inclinando-se para frente, Antonio prestava atenção.  Ele não podia deixar de concordar. Apesar de apreciar muito Regina e  Elder, que eram os representantes da POLOP que ele conhecia, suas  táticas pareciam inefetivas. Sua ação era mais do tipo intelectual,  enquanto em volta era o caos. A POLOP havia emergido em oposição ao  Partido Comunista e sua reação pacífica demais perante o golpe militar,  mas ambos os grupos clandestinos partilhavam a mesma rejeição pela ação  armada. &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “O outro dia, teu irmão trouxe o Ismael  aqui.” disse Antonio. “Ele teve de sair de Araçatuba. A polícia estava  atrás dele por causa de sua ligação com o Partido Comunista. Mas ele não vai  desistir, sua posição é clara. Ele também acredita que está na hora de  mudar de estratégia.” &lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; “Esta idéia está se espalhando. Meu  irmão me falou do Ismael que está na casa dele há umas duas semanas.  Mas, você sabe, ele não pode ficar lá muito tempo, devemos proteger os  que ainda não são clandestinos. Esta foi mais uma razão para o Ismael  deixar Araçatuba, ele não queria colocar sua família em perigo.” disse  Nelson. Não havia medo em suas palavras, somente uma realista e seca  consideração.&lt;/div&gt;&lt;div style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-2194053291082167375?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/2194053291082167375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=2194053291082167375' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2194053291082167375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2194053291082167375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/08/15-radicalizacao_01.html' title='15. Radicalização'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-7555577436426789742.post-2909266544881341579</id><published>2010-01-09T16:15:00.008-02:00</published><updated>2011-03-31T16:02:01.414-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='010. Vida de Família em Araçatuba'/><title type='text'>10. Vida de família em Araçatuba</title><content type='html'>&lt;div align="left" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;i&gt;Adriana Tanese Nogueira&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Como um suave e gentil rio a vida em Araçatuba fluia estável e pacífica. Nossa casa tinha um jardim na frente que eu explorava em liberdade. Além da baixa cerca branca, a rua tranquila com pessoas amigáveis que passavam ocasionalmente completavam a vista. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Entretanto, minha mãe Maria não estava tão entusiasmada como antes. A cidade era quente demais e as gravidezes haviam lhe haviam dado a sensação que fosse ainda mais quente e insuportável. Ela sentia falta de sua família, que vivia a centenas de quilômetros de distância, na cidade de São Paulo. Seu irmão mais velho havia casado e uma bebê nascido. Teria sido bom ter seu pessoal perto. A família de minha mãe era mais do tipo convencional, com definido papeis tradicionais para cada um. Apesar disso poder ser claustrofóbico, papei predizíveis dão uma sensação de conforto. A família do meu pai ao invéz era completamente diferente e tão fascinante quanto às vezes complicada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Seus irmãos eram ainda jovens demais para ter casado. Rachel tinha 18 anos e Osni 16 na época em que nasci. O estilo de vida do qual eles gozavam oferecia-lhes a independência de ir por aí livremente e experimentar o mundo que pessoas como minha mãe nunca teriam mesmo após deixar a casa paterna, pois estariam casadas com filhos e novas responsabilidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: left;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/S0jGQKw2B8I/AAAAAAAAA8A/hWhdmb7onyo/s1600-h/Rachel-1964.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" ps="true" src="http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/S0jGQKw2B8I/AAAAAAAAA8A/hWhdmb7onyo/s320/Rachel-1964.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;,sans-serif;"&gt;Tia Rachel era um moleque. Ela resistiu às tentativas de sua mãe de colocá-la no papel de dama com vestidos sedosos e perolados e graciosos penteados. De vez em quando a agradava, para logo em seguida voltar a seu estilo preferido: shortes e camiseta, e uma longa trança balançando nas costas. Ela aceitou, porém, uma das marcas da nobre perspectiva de sua mãe com relação à educação feminina: as aulas de piano, um treinamento que ela levou adiante por muitos anos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;....&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/7555577436426789742-2909266544881341579?l=www.adrianatnogueira.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://www.adrianatnogueira.com/feeds/2909266544881341579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=7555577436426789742&amp;postID=2909266544881341579' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2909266544881341579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/7555577436426789742/posts/default/2909266544881341579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://www.adrianatnogueira.com/2010/01/10-vida-de-familia-em-aracatuba.html' title='10. Vida de família em Araçatuba'/><author><name>Adriana Tanese Nogueira</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='27' src='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/TPbq9qKGSEI/AAAAAAAAB-U/6c0pQZApnCI/S220/Nov2010.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_kbECIKofC6E/S0jGQKw2B8I/AAAAAAAAA8A/hWhdmb7onyo/s72-c/Rachel-1964.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
