Adriana Tanese Nogueira
Uma parede verde escura feita de árvores e arbustos estava defronte a nós. De pé, me segurando nos dois assentos da frente, eu me dei conta da floreta e de sua intricada rede de folhas e galhos, de muitas formas direções. No entardecer, ela parecia misteriosa. A fitei. Não tinha palavras para expressar o que sentia, mas o conhecimento de que era nosso destino se unia com um impulso interno para ir até ela. Senti-me chamada.
Estávamos estacionados numa praça de terra batida que fazia fronteria com a floresta. A estrada continuava adiante dividindo a barreira esmeralda em duas metades. Nenhum sinal humano era visível. Mais a observava, mais aquele mato parecia extraordinariamente interessante. Não podia esperar para mergulhar nele, adentrar longe com minha família e sumir da vista dos outros. Enquanto meus olhos fixavam a floresta, meus ouvidos seguiam cada palavra da conversa que minha família estava tendo.
“Vou fazer umas compras,” disse meu pai, abrindo a porta do veículo.
“É seguro parar aqui?” Sentada no banco da frente, minha mãe lançava olhares à direita e à esquerda.
Não dava para ver vilarejos ou mesmo casas isoladas por perto. Algumas poucas pessoas caminhavam, seguindo seus próprios negócios.
“Não se preocupe, Maria. Nós vamos ficar com você,” tio Osni retrucou, tocando o ombro dela com a mão.
“Toninho, não demore,” ela disse, olhando-o.
Meu pai fez sim com a cabeça e o vi virando as costas para nós e caminhando na direção da fileira de pequenas e modestas lojas no fundo da praça. Estava ficando escuro. A figura dele desapareceu.
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