AVISO

Publico neste blog os primeiros parágrafos de cada capítulo conforme os escrevo. Esta é uma história longa. Todos os fatos são verídicos. Dialogos e detalhes são reconstruídos a partir do que sei e coletei em testemunhos. Há muito ainda a ser contado. A história inteira será publica somente daqui há um ano e estará disponível em livro. Para quem quer saber mais de mim é só ir para www.psicologiadialetica.com

40. Senhoras e senhores, o DOPS - Parte III

Adriana Tanese Nogueira

        Considerando que ela havia sobrevivido a um longo interrogatório no DOPS, Rachel sentiu-se aliviada. Podia voltar a viver em sua casa, na Alameda Lorena, sem se preocupar em escapar de ninguém. E, a propósito, não havia mais policiais vigiando a residência.
    Terão eles desistido? Perguntou-se Rachel, puxando a cortina da janela para conferir mais uma vez. A calçada estava vazia. Alguns carros passavam na rua. Ela voltou à mesa.
    “Eba! Ninguém lá fora!” Ela alegrou-se e se sentou à mesa.
    “Até que enfim!” Respondeu Dona Lourdes, tomando um gole do seu café com leite. “E o Toninho? Quando ele vai aparecer? Você sabe de alguma coisa, minha filha?”
    “Não, mãe. Não faço idéia de onde ele esteja. A organização deve cuidar dele. Ele vai dar notícias, não se preocupe. O Toninho não é bobo.”
    “Espero que ele esteja bem, estou muito preocupada.” Dona Lourdes suspirou. “E o Osni, onde está ele?”
    “Também não sei, mãe. Mas o único perigo que ele corre é levar um soco na cara por estar namorando a garota de alguém.”
    Dona Lourdes deu uma risadinha, “Todos o papel hygienic Enfurecida de esperma que eu já limpei voltando para casa! Ele é um safado! Safado charmoso, devo dizer…”
    “Mas ele deve aparecer logo,” cortou Rachel, mais prática, “ele vai estar com fome. Mãe, mudando de assunto, semana que vem é Carnaval. O DOPS falou que era para ficar às ordens aqui em São Paulo, mas Carnaval que presta só é no Araçatuba Clube, e com os meus amigos.”
    “Verdade. Eu também quero ir para Araçatuba.”
    “E imagino que o Osni vai querer fazer o mesmo.” Disse Rachel, pensativa. “Sabe de uma coisa?” Ela falou após um momento, “Vou voltar ao DOPS e pedir permissão para ficar fora da cidade durante o Carnaval.”
    “Bem pensado, minha filha.” Sorriu-lhe Dona Lourdes, “Volta lá. Eles não devem criar objeções, vão saber para onde vocês vão e quando voltam.”
    “Certo. Não deve ser difícil conseguir a autorização.”
   
    Efetivamente, sem questionar, o DOPS deu permissão para Rachel e Osni saírem de São Paulo no sábado de Carnaval e voltarem na quarta feira de cinzas. Contentes com a sensatez demonstrada pelos policiais, a família carregou sua nova Kombi, com bagagem, cachorro e empregada e enfrentou as seis horas de viagem para Araçatuba, cidade que continha em si suas melhores recordações.
    As quatro noites de festa esgotaram as energies dos dois irmãos.
    “Não vejo a hora de me esticar na minha cama e ficar lá até amanhã,” disse Osni, no volante, bocejando.
    Todos estavam ansiosos para chegar em casa e ter uma boa longa noite de sono. Quando o sobrado na Alameda Lorena estava visível, eles se endireitaram prontos para entrar em casa e ir para suas camas.
    Dona Lourdes inseriu a chave na fechadura.
        “Oh, meu Deus!” Ela exclamou, observando a porta que se abria sozinha. 
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