Adriana Tanese Nogueira
Considerando que ela havia sobrevivido a um longo interrogatório no DOPS, Rachel sentiu-se aliviada. Podia voltar a viver em sua casa, na Alameda Lorena, sem se preocupar em escapar de ninguém. E, a propósito, não havia mais policiais vigiando a residência.
Terão eles desistido? Perguntou-se Rachel, puxando a cortina da janela para conferir mais uma vez. A calçada estava vazia. Alguns carros passavam na rua. Ela voltou à mesa.
“Eba! Ninguém lá fora!” Ela alegrou-se e se sentou à mesa.
“Até que enfim!” Respondeu Dona Lourdes, tomando um gole do seu café com leite. “E o Toninho? Quando ele vai aparecer? Você sabe de alguma coisa, minha filha?”
“Não, mãe. Não faço idéia de onde ele esteja. A organização deve cuidar dele. Ele vai dar notícias, não se preocupe. O Toninho não é bobo.”
“Espero que ele esteja bem, estou muito preocupada.” Dona Lourdes suspirou. “E o Osni, onde está ele?”
“Também não sei, mãe. Mas o único perigo que ele corre é levar um soco na cara por estar namorando a garota de alguém.”
Dona Lourdes deu uma risadinha, “Todos o papel hygienic Enfurecida de esperma que eu já limpei voltando para casa! Ele é um safado! Safado charmoso, devo dizer…”
“Mas ele deve aparecer logo,” cortou Rachel, mais prática, “ele vai estar com fome. Mãe, mudando de assunto, semana que vem é Carnaval. O DOPS falou que era para ficar às ordens aqui em São Paulo, mas Carnaval que presta só é no Araçatuba Clube, e com os meus amigos.”
“Verdade. Eu também quero ir para Araçatuba.”
“E imagino que o Osni vai querer fazer o mesmo.” Disse Rachel, pensativa. “Sabe de uma coisa?” Ela falou após um momento, “Vou voltar ao DOPS e pedir permissão para ficar fora da cidade durante o Carnaval.”
“Bem pensado, minha filha.” Sorriu-lhe Dona Lourdes, “Volta lá. Eles não devem criar objeções, vão saber para onde vocês vão e quando voltam.”
“Certo. Não deve ser difícil conseguir a autorização.”
Efetivamente, sem questionar, o DOPS deu permissão para Rachel e Osni saírem de São Paulo no sábado de Carnaval e voltarem na quarta feira de cinzas. Contentes com a sensatez demonstrada pelos policiais, a família carregou sua nova Kombi, com bagagem, cachorro e empregada e enfrentou as seis horas de viagem para Araçatuba, cidade que continha em si suas melhores recordações.
As quatro noites de festa esgotaram as energies dos dois irmãos.
“Não vejo a hora de me esticar na minha cama e ficar lá até amanhã,” disse Osni, no volante, bocejando.
Todos estavam ansiosos para chegar em casa e ter uma boa longa noite de sono. Quando o sobrado na Alameda Lorena estava visível, eles se endireitaram prontos para entrar em casa e ir para suas camas.
Dona Lourdes inseriu a chave na fechadura.
“Oh, meu Deus!” Ela exclamou, observando a porta que se abria sozinha.
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