AVISO

Publico neste blog os primeiros parágrafos de cada capítulo conforme os escrevo. Esta é uma história longa. Todos os fatos são verídicos. Dialogos e detalhes são reconstruídos a partir do que sei e coletei em testemunhos. Há muito ainda a ser contado. A história inteira será publica somente daqui há um ano e estará disponível em livro. Para quem quer saber mais de mim é só ir para www.psicologiadialetica.com

37. Não quero te perder

Adriana Tanese Nogueira

    Apesar de ser uma manhã de domingo, o centro de São Paulo estava movimentado. Antonio dirigiu com atenção. Era a primeira vez que ele se mexia abertamente na cidade após ter se tornado um homem procurado. Sentiu-se nervoso mas tentou não parece nada mais do que um indivíduo indo visitar sua família. Lembrou-se da foto no pôster da polícia. Ele parecia gordinho lá, diferente de como ele realmente era. Acreditava que as pessoas não iriam reconhecê-lo. Além disso, o que faria um suposto terrorista numa rua elegante da cidade? Somente alguém maluco. Ou ousado o suficiente para confiar em sua sorte. Ou em seus instintos. Este era seu caso. Ele sentia de alguma forma irracinal que podia assumir esse risco. Sua voz interior o instigava a ser audaz. Que estivesse certa ou não, seus irmãos precisavam ser avisados, pelo bem deles. Antonio não queria que nada de ruim lhes acontecesse.
    O sobrado de Rachel estava localizado na Alameda Lorena, uma rua residencial situada perto de charmosas butiques e joalharias. Antonio reconheceu o edifício à sua esquerda. Tudo estava tranquilo, os passantes pareciam inócuos e nenhum carro suspeito estava parado nas imediações. Sua confiança se fortaleceu. Agora, era uma questão de ser rápido com aquilo que tinha que fazer.
    Ele estacionou uns quarteirões mais para frente e procurou um orelhão.
    “Alô?” Uma voz suave de mulher atendeu.
    “Bom dia, Dona Marta. É o Antonio, tenho um favor a lhe pedir.”
    “Oi, Antonio, tudo bem. Fale.”
    “Não estou conseguindo falar com minha irmã. Deve haver algum problema com o telefone deles. Será que a senhora poderia chamá-la?”
    “Claro, não se preocupe.”
    Dona Marta foi bater na porta da vizinha.
    “Tô chegando!” Uma voz feminina respondeu.
    Rachel abriu a porta. Com o dorso da mão limpou as migalhas de pão nos cantos da boca, “Estava tomando café,” ela explicou, sorrindo alegremente.
    “Rachel? Teu irmão ao telefone.”
    Ela seguiu Dona Marta para dentro da entrada de sua casa e pegou o aparelho, “Oi, Toninho, e aí? Por que você não ligou para casa?”
    “Estamos com um problema. Desça com o Osni. Preciso falar com vocês dois. Estou no carro, estacionado há dois quarteirões para frente.”
    “O quê?” Ela perguntou perplexa.
    “Não posso falar agora. Venham.”
    Sentado no carro, Antonio esperou. Apesar de seus sentidos estarem alerta, ele, propositalmente, exibia calma. De relance se observou no espalhou retrovisor conferindo sua aparência e ficou satisfeito em ver que combinava com o bairro. De terno e sapato lustrado, Antonio mantinha-se na postura descontraída que costumava ter quando se sentia à vontade. A diferença era que, desta vez, usava bigodes e carregava um revolver debaixo do paletó.
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