Adriana Tanese Nogueira
Antonio acordou e se deu conta que estava assustado. As coisas não iam voltar ao normal. De fato, normalidade era um conceito que tinha repentinamente desaparecido de sua vida, de suas vidas.
Ele se sentiu preso. Maria estava deitada ao lado dele, dormindo ainda. Ele olhou à sua volta, as paredes do apartamento pareciam esmagá-lo. Cordas invisíveis impediam seu movimento. Se havia algo do qual ele tinha pavor era a sensação de não poder mover-se livremente.
Levantou-se da cama estreita. As persianas das janelas deixavam filtrar a luz do sol, brilhante e alegre como sempre em pleno verão. Ele queria abrir as janelas e deixar entrar o ar fresco da manhã. Mas será que podia? E se alguém o visse, invadisse a casa em qualquer hora do dia ou da noite? E o arrastasse para os famosos locais de tortura da polícia? Arrepiou-se.
O mundo de for a, pelo qual ele havia andado tão à vontade, representava agora autêntico perigo. As ruas não eram mais um lugar seguro. Pela primeira vez, uma sensação tangível de medo espalhou-se pelo seu corpo e ao seu redor. Ele podia respirá-la, cheirá-la, sentir seu gosto. Dominante, poderosa ansiedade que desintegra idéias, confiança e esperança.
Antonio sacudiu-se deste estado de espírito e foi para cozinha preparar o café da manhã. Não queria deixar-se ir desse jeito. Da bancada da pia, ele lançou um olhar sobre seus filhos, os três dormiam pacificamente sobre o sofá. O que deveria fazer com eles? Seu coração tremeu em suspense, mas ele rapidamente voltou para a racionalidade. Nada de pânico.
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