Adriana Tanese Nogueira
Totò voltou para casa furioso. Abriu com ímpeto a porta e berrou, “Pasqua!”
Pasqua veio correndo da cozinha, alerta e confusa. “O que aconteceu, Totò?”
Totò soltou uns grunhidos enquanto dava grandes passos para cima e para baixo da sala.
Pasqua seguiu-o com os olhos, secando suas mãos no avental, “Ce dai…?” Ela gemeu.
Totò parou de repente e a fitou com uma expressão em brasa, “Antonio veio à banca hoje,” ele disse.
Pasqua escancarou os olhos.
“Ele falou que estão na praia. Não quis me dizer onde.”
“Maria e as crianças estão bem?” Perguntou Pasqua.
“Ele disse que sim,” Totò parecia estar soltando fumaça.
“Mas onde?”
“Vai saber! Em algum lugar, droga. Ele disse que estão a salvo.”
“Oh, Gesù…” ela sussurrou.
Totò voltou a caminhar para cima e para baixo do quarto.
“E… o que mais…?”
“Só isso! Ele foi embora.”
Os passos de Totò se tornaram sempre mais pesados como se ele estivesse martelando o chão.
“Ele é o típico brasileiro,” Totò explodiu, “essa gente não gosta de trabalhar. Eu falei pra Maria, nunca tive uma sensação boa dele. Ela não deveria ter-se casado com ele. Droga! Brasileiros são sem vergonha. Ela tinha que casar com um italiano, alguém que sabe o que é trabalho duro e que iria lhe dar uma casa e uma família. Nada de brincadeiras. Nada de bobagens. Política! Quem se importa? A primeira responsabilidade de um homem é a de manter sua família. Ponto. O resto é o resto, quando há tempo, se houver tempo. Maria foi teimosa. Como pode? Ela sempre tão obediente acabar casando um cara como o Antonio? Onde erramos?”
“Oh, Gesù, Gesù,” lamentou-se Pasqua, “C’hamma fe?”
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