AVISO

Publico neste blog os primeiros parágrafos de cada capítulo conforme os escrevo. Esta é uma história longa. Todos os fatos são verídicos. Dialogos e detalhes são reconstruídos a partir do que sei e coletei em testemunhos. Há muito ainda a ser contado. A história inteira será publica somente daqui há um ano e estará disponível em livro. Para quem quer saber mais de mim é só ir para www.psicologiadialetica.com

34. Droga

Adriana Tanese Nogueira

     Totò voltou para casa furioso. Abriu com ímpeto a porta e berrou, “Pasqua!”
     Pasqua veio correndo da cozinha, alerta e confusa. “O que aconteceu, Totò?”
     Totò soltou uns grunhidos enquanto dava grandes passos para cima e para baixo da sala.
     Pasqua seguiu-o com os olhos, secando suas mãos no avental, “Ce dai…?” Ela gemeu.
     Totò parou de repente e a fitou com uma expressão em brasa, “Antonio veio à banca hoje,” ele disse.
     Pasqua escancarou os olhos.
     “Ele falou que estão na praia. Não quis me dizer onde.”
     “Maria e as crianças estão bem?” Perguntou Pasqua.
     “Ele disse que sim,” Totò parecia estar soltando fumaça.
     “Mas onde?”
     “Vai saber! Em algum lugar, droga. Ele disse que estão a salvo.”
     “Oh, Gesù…” ela sussurrou.
     Totò voltou a caminhar para cima e para baixo do quarto.
     “E… o que mais…?”
     “Só isso! Ele foi embora.”
     Os passos de Totò se tornaram sempre mais pesados como se ele estivesse martelando o chão.
     “Ele é o típico brasileiro,” Totò explodiu, “essa gente não gosta de trabalhar. Eu falei pra Maria, nunca tive uma sensação boa dele. Ela não deveria ter-se casado com ele. Droga! Brasileiros são sem vergonha. Ela tinha que casar com um italiano, alguém que sabe o que é trabalho duro e que iria lhe dar uma casa e uma família. Nada de brincadeiras. Nada de bobagens. Política! Quem se importa? A primeira responsabilidade de um homem é a de manter sua família. Ponto. O resto é o resto, quando há tempo, se houver tempo. Maria foi teimosa. Como pode? Ela sempre tão obediente acabar casando um cara como o Antonio? Onde erramos?”
     “Oh, Gesù, Gesù,” lamentou-se Pasqua, “C’hamma fe?” 
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